Para emergentes, fortunas e problemas
Em maio, um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE) alertava que um aumento sustentado de US$ 10 no preço do barril, levando-o de US$ 25 para US$ 35, provocaria uma perda de 0,4% do PIB no primeiro e segundo anos da alta nos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, que reúne os 30 países mais desenvolvidos do mundo). Segundo a AIE, a inflação cresceria em meio ponto porcentual e o desemprego também aumentaria.
No caso do Brasil, segundo a AIE, preços sustentados em US$ 35 por barril durante um ano levariam a uma perda de 0,4% no PIB, dois pontos porcentuais adicionais na inflação e uma queda de 0,4% na balança comercial. Na época, ao ser divulgado, o estudo não causou tanta preocupação porque a sustentabilidade dos preços em níveis tão elevados era vista como uma possibilidade distante. Do jeito que os preços estão se comportando nos últimos meses, a projeção poderá se mostrar modesta.
Entre os mercados emergentes, preços elevados do petróleo significam fortunas e problemas. Para países exportadores como Venezuela, México e Rússia, os ganhos são óbvios. Mas, para os altamente dependentes, as pressões inflacionárias e perdas na balança comercial são inevitáveis. O Brasil não se encaixa em nenhum desses perfis.
O estrategista para mercados emergentes do fundo Threadneedle Investments, Henry Stipp, observou que, embora ainda importe petróleo, o Brasil também exporta, neutralizando em parte o impacto da alta. No entanto, será preciso acompanhar o aumento do consumo doméstico causado pelo reaquecimento econômico do País. ''O fato que deve ser monitorado com mais atenção é o impacto da alta do petróleo sobre a inflação'', disse Stipp. (J.C./AE)





