Para embaixador, iniciativa deveria ser avaliada no Mercosul
Integrantes da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (Acifi) e do Iguassu Convention Visitors Bureau, entidades que agregam empresários da cidade, estão empolgados com implantação da zona franca no país vizinho. Para o representante brasileiro do Grupo do Mercado Comum (GMC), embaixador José Botafogo Gonçalves, no entanto, a iniciativa dos argentinos deveria passar por uma avaliação mais detalhada entre os participantes do Mercosul.
Durante o Forum Consultivo Econômico-Social do GMC, realizado no final do ano passado, o embaixador ouviu as críticas dos participantes sobre a burocracia na fronteira, como a circulação de carros, produtos agropecuários e industrializados e o trabalho de brasileiros nos países vizinhos. A fronteira precisa de legislação específica e isso vale para carteiras de motorista, carne ou equipamentos. É preciso que haja uma certificação mútua reconhecida por todos, explicou Gonçalves, lembrando que o Inmetro está ajudando os vizinhos nesta área.
Quanto à instalação da zona franca argentina na fronteira, o embaixador foi duro em suas palavras. O empreendimento vai ser problemático para todos e é por isso que precisamos disciplinar os integrantes. Todos devem saber com detalhes como funcionam projetos como esse, comentou Gonçalves, lembrando que já existem várias zonas francas na Argentina (leis permitem que cada província crie sua área isenta de impostos), além de um gigantesco complexo no extremo sul (Ushuaia).
Para o presidente da Câmara de Comércio de Puerto Iguazú, Roberto Javier Rios, mesmo as 23 províncias estando autorizadas a criar seus próprios parques industriais, poucas unidades ficaram prontas e apenas três estão apresentando um bom desempenho. Quanto a Ushuaia, ela é tida como Território Aduaneiro Especial por estar localizado em uma região inóspita e pouco povoada devido às baixas temperaturas, comentou Rios.
Tibiriça Boto Guimarães, representante da Acifi durante o Fórum, disse na época que a zona franca deve auxiliar o Mercosul a consolidar o principal motivo pelo qual foi criado. A luta de todos é pela área de livre comércio. É abrir as fronteiras entre os países amigos, comentou.
Mesmo oferecerendo um limite de até US$ 2 mil para os turistas que comprarem no freeshop, os brasileiros terão que pagar os impostos de importação exigidos na aduana em Foz do Iguaçu. Tanto na Argentina quanto no Paraguai, as compras não podem ultrapassar US$ 150,00.
Empresários associados ao Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), sediado em Ciudad del Este, no Paraguai, aprovam a implantação da zona franca, entendendo que o projeto beneficia todos os integrantes da tríplice fronteira.
Para o presidente da Cicap, Charif Hammoud, a proposta audaciosa dos argentinos prova que os paraguaios devem melhorar ainda mais a qualidade dos serviços e produtos. Dono de um shopping de oito andares em Ciudad del Este, Hammoud destaca que a época de ouro do comércio paraguaio encerrou definitivamente há quatro anos. Até 1995, ano em que real e dólar eram cotados ao mesmo valor, cerca de 7 mil lojas da cidade comercializavam US$ 1 bilhão em um único mês. Depois disso, só registramos baixas. Hoje temos pouco mais de 2 mil portas abertas que não chegam a movimentar US$ 2 bilhões em 12 meses, lamentou. (E.D.)





