Para economistas, questão é política
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quinta-feira, 06 de junho de 2002
Agência Folha 
Brasília O diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn, reuniu-se ontem em São Paulo com os economistas dos bancos para ouvir suas opiniões sobre a atual crise. Segundo participantes do encontro ouvidos pela Agência Folha, foram três temas centrais abordados: as razões para a turbulência no mercado, o risco de crédito (de refinanciamento) dos títulos públicos e o corte ou não dos juros pelo Copon este mês.
Sobre o primeiro assunto, a opinião quase consensual foi que a causa primeira para a crise é o risco político, mais precisamente as dúvidas quanto às propostas econômicas dos pré-candidatos à Presidência da República.
De acordo com os presentes à reunião, a falta de esclarecimento dos presidenciáveis, especialmente de oposição, sobre o que farão para refinanciar (rolar) a dívida interna, por exemplo, foi um dos principais fatores para a queda de valor dos títulos públicos no mercado nas últimas semanas.
Para os economistas, falhas que teriam sido cometidas pelo BC em relação à dívida interna teriam reverberado a crise, não a provocado. Sobre o segundo tema debatido, os economistas demonstraram receio de que o próximo presidente tenha dificuldades para refinanciar a dívida pública no começo de seu mandato. Acerca dos juros básicos da economia, prevaleceu a idéia de que o BC deve cortar os juros na reunião do Copom deste mês, devido à trajetória de queda da inflação.


