Para economistas inflação sobe
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segunda-feira, 14 de junho de 2004
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - O reajuste no preço da gasolina deverá acelerar a inflação em junho e inviabilizar uma nova queda na taxa básica de juros, avaliam economistas ouvidos pela Agência Estado. Para o coordenador de pesquisa do Instituto Fecomércio do Rio, Paulo Bruck, o aumento assegura que o IPCA - referência para as metas de inflação do Banco Central - de junho será superior à taxa de 0,51% registrada em maio.
A queda de 2,03% no preço da gasolina no acumulado de janeiro a maio, segundo os cálculos do IPCA de maio, ajudou a conter a inflação nos cinco primeiros meses deste ano. Para Bruck, no caso do aumento de 4,5% aos consumidores estimado pela Petrobras, o impacto no IPCA em 30 dias será de 0,19 ponto porcentual. Desse total, 0,07 ponto porcentual será absorvido no IPCA de junho e 0,12 no índice de julho. Ou seja, caso a inflação de junho fosse de 0,5% antes do reajuste da gasolina, passaria a 0,57% após o aumento. Como a pressão dos alimentos, registrada em maio em razão de problemas climáticos, deverá prosseguir, ele acredita numa aceleração da inflação no mês.
O impacto direto do diesel, lembrou Bruck, é praticamente irrisório no IPCA. Este é um combustível usado, essencialmente, em veículos de carga e reflete mais fortemente nos índices de preço no atacado.
Para o economista do Ibmec Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, o reajuste no preço da gasolina torna ''praticamente impossível'' uma queda na taxa básica de juros (Selic) na reunião do Comitê de Política de Monetária (Copom) que começa hoje. Ele projeta um IPCA acumulado de 7% em 2004. O centro da meta definida pelo Banco Central é de 5,5%.
De acordo com Freitas, este não deverá ser o único aumento, já que o próprio BC trabalha com um reajuste de 11% aos consumidores em 2004. O economista aponta que, para um aumento de 10% aos consumidores na gasolina neste ano, haverá impacto total no IPCA de 0,6 ponto porcentual, sendo 0,3 ponto de efeitos diretos e 0,3 de efeitos indiretos.
Para ele, os impactos do reajuste anunciado serão reduzidos no IPCA de junho e só chegarão com mais força na taxa de julho e ao longo do ano. Haverá também efeitos indiretos, pois os combustíveis são parte da composição dos custos das empresas. Ele avalia, assim como a própria Petrobras, que o reajuste de 10,8% nas refinarias chegará em porcentual bem inferior aos consumidores. ''Há muita competição no mercado e a demanda está fraca'', afirma.
Do ponto de vista da política monetária, Freitas avalia que a decisão da Petrobras representará um alívio para o Copom. ''Foi bom esse aumento agora porque o BC estava com dificuldade de argumentos para fixar os juros. O reajuste será uma munição para manter a taxa básica de juros'', disse.


