Para economistas, ajuste fiscal dará o tom de 2017
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sábado, 10 de dezembro de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 
Curitiba Se as reformas e ajustes anunciados pelo governo federal forem efetivados e, principalmente, o ambiente político não propiciar novos sobressaltos de ordem institucional, como o que se deu nesta semana com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), 2017 poderá ser um ano estável e de preparação para um 2018 mais próspero.
Essa foi a ideia consolidada entre os profissionais que estiveram reunidos nesta semana na Associação Comercial do Paraná (ACP), em Curitiba, e por quatro horas
apresentaram um panorama dos principais setores da economia brasileira no evento "Rumos da Economia em 2017", promovido anualmente pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR).
Nesse sentido, o presidente do Corecon-PR, Eduardo Moreira Garcia, informou que a entidade está propondo ao relator do projeto da reforma tributária, o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), trazer a discussão da matéria para ser apreciada entre os membros da entidade. O supervisor técnico e economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Paraná (Dieese), Sandro Silva, exemplificou de maneira contundente a importância da matéria para lançar os alicerces da retomada do desenvolvimento.
"Um dos motivos do agravamento da crise foi que na falta de uma reforma tributária consistente, o País deixou de arrecadar R$ 100 bilhões em impostos com a política de incentivo fiscal entre 2011 e 2014 e, ao final do período, a desaceleração da economia deixou uma crise fiscal", pontuou. Silva alertou para o fato do foco do ajuste estar todo voltado ao enxugamento das despesas primárias, enquanto 45% das despesas públicas são destinadas à rolagem da dívida. "A taxa Selic começou a baixar agora, mas ainda é muito alta. E mesmo que vá para o patamar de 10% em 2017 segue sendo perversa e com forte impacto naquilo que o governo tentar enfrentar com a PEC do limite dos gastos públicos", explicou.
PIB e desemprego
O professor da Universidade Positivo e economista do Corecon-PR, Lucas Dezordi, afirmou categoricamente que a prioridade em 2017 tem que ser o crescimento. "Crescer agora é o objetivo da economia brasileira. É preciso restabelecer o ambiente político e institucional para que se façam os ajustes necessários em 2017, os projetos de investimento comecem a sair da gaveta e diante de um cenário positivo o País volte a crescer em 2018", argumentou. Para ele, o crescimento de longo prazo que irá requerer mais esforço coletivo. "Vejo como mais preocupante o crescimento de longo prazo para o Brasil, porque as projeções do PIB de longo prazo apresentam um recuo significativo nos números", informou.
A tão esperada geração de empregos pela conjuntura atual não deve acontecer em 2017, segundo o panorama apresentado do debate. De acordo com Silva, a projeção de 0,8% de crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) é otimista, frente aos últimos acontecimentos da conjuntura mundial. "Pelos indicadores, talvez tenhamos um resultado até pior do que 2016 com as incertezas relacionadas ao novo presidente dos Estados Unidos e uma projeção de queda no preço de commodities por conta do aumento da oferta", explicou. Até se o cenário for de PIB com 0,5% de aumento, os efeitos sobre o aumento de vagas não deverão ser imediatos. "Mesmo quando a economia melhorar, pode demorar para haver contratação, seja pelos estoques de produção, seja por conta dos investimentos em tecnologia", acrescentou o supervisor técnico do Dieese.
Indústria 4.0
O economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) Roberto Zurcher afirmou que o governo não gera riqueza, transfere. Por essa razão, ele chamou atenção para a relação entre crescimento e poupança. "Países que não poupam, não crescem, basta olhar para os cinco países que mais cresceram nos últimos anos", explicou. Zurcher também destacou que no setor industrial o caminho para sair da crise é o aumento da produtividade. "Desde 2011 vivemos um novo momento de revolução industrial por conta da tecnologia e estamos trabalhando junto as indústrias daqui a necessidade de se internalizar o conceito de Indústria 4.0. Quem não estiver adaptado a esse modelo deixará de existir até 2025. Ou seja, se não vamos crescer em 2017, que as mudanças em prol da produtividade sejam executadas visando um crescimento no médio prazo", recomendou.


