O cenário é preocupante, mas não é alarmista. Quem diz isso é o economista e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Vanderlei Sereia. De acordo com ele, ainda é preciso esperar que medidas tomadas pelo governo brasileiro nos últimos meses surtam efeito no controle dos preços.
O economista afirma que um dos fatores que mais puxam os preços para cima no País é o câmbio. "A medida tomada pelo FED (banco central dos Estados Unidos) de elevar juros para atrair capitais tem funcionado. Os recursos especulativos estão sendo canalizados para lá", explica.
Para tentar conter a consequente valorização da moeda norte-americana, o Banco Central brasileiro tem jogado dólares no mercado, mas a medida não está surtindo efeito. O Real continua se desvalorizando. Conforme explica o economista, como muitos dos produtos consumidos no País têm insumos importados, a valorização da moeda norte-americana ajuda a elevar os preços internos.
A tendência para os próximos meses, na opinião de Sereia, é de inflação em alta, uma vez que, no inverno, boa parte dos alimentos deixam de ser produzidos. "É uma época em que enfrentamos problema de oferta".
Para ele, o quadro atual remete a uma inflação acima da meta de 6,5% no ano. "Vai ser difícil o BC conseguir evitar isso", afirma. Mas isso não significa que a situação está fora do controle. "Acredito que as medidas do governo (desonerações mais aumento de juros) vão surtir efeito mais adiante", declara. (N.B.)

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