Para economista, entrevista acalma mercado
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domingo, 21 de agosto de 2005
Das agências 
São Paulo - A reação do mercado financeiro à entrevista coletiva do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, deve ser muito positiva no início dos negócios nesta segunda-feira, na avaliação do economista-sênior do Banco WestLB, Adauto Lima. Segundo Lima , Palocci deu as explicações necessárias e falou de maneira frontal e sem rodeios.
Palocci convocou a imprensa ontem para se pronunciar sobre as denúncias feitas na última sexta-feira pelo advogado Rogério Buratti. O ex-assessor do ministro disse que, quando Palocci era prefeito de Ribeirão Preto recebia pagamentos mensais de R$ 50 mil de empreiteiras que cuidavam do serviço de lixo da cidade.
Para Lima, a postura do ministro Palocci foi ''firme e positiva no sentido de convocar a imprensa e argumentar que os documentos citados por Buratti não o envolvem diretamente''. Ainda de acordo com o economista do WestLB, o ministro foi feliz em dizer que a política econômica é do governo e não dele.
Na opinião do economista, o ministro agiu de forma correta, diferentemente do que tem feito o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu. ''É natural que um ou outro agente econômico mantenha, no decorrer da próxima semana, um certo grau de cautela, mas nada que possa agregar muita volatilidade ao mercado, graças à atitude do ministro da Fazenda de vir a público esclarecer os fatos''.
''O problema dentro de um cenário de crise, como o que estamos vivendo, é que a cada dois dias aparecem novos fatos na imprensa'', afirmou o economista. Ele ressaltou, no entanto, que depois de o ministro Palocci ter deixado claro que nenhuma medida de aperto monetário será tomada por pressão política, certamente o mercado ficará mais aliviado.
Para Lima, Palocci deixou claro que qualquer medida no sentido de elevar juros ou de ampliar o superávit primário só se dará, se necessário, obedecendo critérios técnicos e não em respostas a fatores políticos.
Alvoroço - O envolvimento do nome do ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, em denúncias de recebimento de propina agitou o mercado de juros futuros na sexta-feira, fazendo com que as taxas subissem. Isso pode ser bem ruim para o mercado acionário.
Esse novo elemento de incertezas levantou uma dúvida há pouco inexistente no mercado. Agora, não é mais intocável a projeção de que a taxa básica de juros (Selic, que foi mantida em 19,75% na semana passada) vai ser reduzida em setembro. ''O Banco Central sempre mostrou uma preocupação imensa com os índices de inflação. Com a última decisão, quando a inflação demonstrou estar sob total controle, passei a imaginar que a crise política começou a pesar nas decisões do Copom. Assim, com o incerto futuro político, fica mais complicado fazer previsões sobre os próximos passos do Copom'', diz Adolpho Nardy Filho, diretor de operações e finanças do banco Cruzeiro do Sul.
Se o Comitê de Política Monetária (Copom), formado por diretores e o presidente do BC) decidir não cortar os juros em setembro, a Bolsa de Valores poderá ter uma reação muito negativa. Analistas afirmam que a queda dos juros é fundamental para o mercado acionário começar a se recuperar e dar ganho real (descontada a inflação) para os investidores.
''Juro elevado sempre é ruim para a Bolsa'', avalia Alex Agostini, economista-chefe da Global Invest Asset. ''Quando os juros caem, aumenta o consumo, o que é bom para as empresas que têm ações na Bolsa, e os custos para o setor privado investir recuam.''
A elevação das taxas futuras na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), na sexta-feira, foi uma ducha de água fria em quem tinha certeza que os juros iriam começar a cair. Bancos procuraram se defender com o aumento das incertezas no curto prazo. O contrato DI com resgate no fim de 2006 subiu fortemente (saltando de 17,96% para 18,50% anuais). Esse movimento mostra que há temores de que os juros não sigam em baixa pelos próximos meses, como antes esperado.


