Enquanto a igualdade entre o dólar e o peso continuar, a Argentina vai ser forçada a adotar medidas recessivas com frequência, alertou o economista Lauro Vieira de Faria, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. O caso do país é ‘‘dramático’’, para o economista. ‘‘Ela está sendo obrigada a fazer política recessiva sem ter aquecimento da economia, porque abdicou da própria moeda e os donos da moeda que ela adotou exigem essas medidas’’, definiu.
Para Faria, não há nenhum fator na Argentina que justifique nova recessão. O desemprego é alto, a inflação, baixa, e o déficit fiscal ‘‘dificilmente’’ seria superior a 3% do PIB. ‘‘Esse é um nível aceitável para a Europa, por que não para a Argentina?’’. Segundo ele, enquanto perdurar o câmbio fixo, a Argentina sempre estará ‘‘na mão’’ do mercado internacional, que banca seu déficit externo – e continuará sempre a pedir pacotes para reduzir a necessidade de financiamento deste déficit. A saída seria o câmbio livre ou um acordo com o Brasil, para a moeda dos dois países flutuarem juntas. Faria também acredita que o Brasil pode ser afetado pelo pacote argentino, dependendo do nível de retração da atividade que provocará.

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