São Paulo - O plano de investimento da Petrobras é ''ambicioso'', dado o atual cenário da produção de petróleo e da crise, mas pode estar inflada por questões políticas, disse a revista econômica inglesa ''The Economist'', na edição desta semana.
Em artigo sobre o novo plano de investimentos - que indica gastos de US$ 174 bilhões no período de cinco anos -, a revista aponta para as dificuldades que envolvem a sua concretização. Entre os maiores desafios, explica a ''Economist'', estão a dificuldade tecnológica de explorar a área do pré-sal e as condições adversas para obter financiamento.
''Nós temos a tecnologia e o acesso às reservas e nós achamos que podemos financiar isso. Por que não?'', disse o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, para a revista. Ele disse que o maior problema na exploração do pré-sal é obter dados mais precisos sobre os campos para reduzir ao máximo a quantidade de perfurações necessárias para fazer a extração do petróleo.
''Outros se perguntam se, em um mundo onde o crédito está quebrado, a Petrobras conseguirá levantar o dinheiro (para realizar os investimentos)'', aponta a revista. Porém, ''Economist'' levanta a possibilidade dos valores estarem inflados devido ao poder político que a estatal possui. ''Alguns brasileiros suspeitam que o plano de investimento está inflado para favorecer políticos que participam do conselho de administração da Petrobras. Ele é presidido por Dilma Rousseff, a quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aponta como sua candidata favorita para as eleições presidenciais que vão ocorrer no próximo ano'', disse a revista. ''Com muitas empresas petrolíferas cortando investimento e produção, o preço pode ficar bem mais alto quando o petróleo começar a vir debaixo do oceano. Essa, ao menos, é a lógica por trás do ambicioso plano'', conclui a revista.

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