Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O ministro do Trabalho, Francisco Dorneles, criticou ontem a volta da indexação dos salários ao índice de inflação. ‘‘É a morte para todo mundo’’, afirmou. ‘‘A reindexação joga para o futuro uma inflação passada e quem defende isso é idiota ou imbecil.’’ Dornelles, que defende a livre negociação entre trabalhadores e patrões, participou no Rio do 3º Congresso Estadual da Força Sindical, ao lado do presidente da entidade, Paulo Pereira da Silva. O sindicalista afirmou que é preciso negociar reajustes salariais para repor perdas de uma inflação que pode chegar a 7% ou 8% ao ano.
‘‘Por enquanto, não dá para voltar o gatilho’’, afirmou o sindicalista, dizendo que a orientação que está sendo repassada aos sindicatos é tentar negociar aumentos e, sempre que não for possível um acordo, partir para a greve.
O ministro Dornelles disse não acreditar em uma adesão maciça a uma proposta de greve geral. Ele argumentou que o momento é de negociação entre as partes e comentou que não há clima para o retorno dos movimentos grevistas. Paulinho confirmou a saída da Força Sindical da paralisação marcada para o dia 10, alegando ter recebido o compromisso do governo de atendimento a mais da metade da pauta de reivindicações da entidade.
O empenho do governo em não permitir a volta da inflação foi um dos fatores citados pelo ministro Dornelles que, segundo ele, não irão permitir a volta da indexação. Ele comentou, ainda, que as empresas que repassarem para os preços de seus produtos os gastos com a folha salarial vão perder vendas por causa da concorrência.
O porta-voz da Presidência, Georges LamaziSre, afirmou ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso não concorda ‘‘de modo algum que a alta do dólar possa gerar uma pressão inflacionária suficiente para trazer de volta a indexação. Ontem, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Horácio Lafer Piva, disse temer essa possibilidade. ‘‘O Banco Central tem monitorado de perto. Ontem, saiu um conjunto de medidas que visa evitar esse tipo de problema e evitar o efeito inflacionário’’, disse o porta-voz. Ele citou que a cotação do dólar ontem já havia baixado.

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