Para dívidas em atraso, saída é a renegociação
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de abril de 1998
Agência Estado 
É raro encontrar um brasileiro que não esteja endividado. Cheque especial, cheque pré-datado, cartão de crédito, crediário, empréstimo pessoal, pagamento de IPVA, IPTU, financiamento de imóvel, do carro, do telefone. Tudo isso compromete o orçamento doméstico, levando em geral a um descontrole financeiro e a uma necessidade de mudanças no comportamento do consumidor. Em vez de gastar mais, é hora de renegociar dívidas. Os credores estão abertos à negociação. Eles oferecem condições facilitadas de pagamento a quem está inadimplente.
Pesquisa sobre inadimplência realizada pelo SCPC da Associação Comercial de São Paulo indica que a maioria dos entrevistados tem dívida no valor entre R$ 200,00 e R$ 500,00 e possui um carnê em atraso. As principais causas do endividamento foram o desemprego, o descontrole de gastos e o fato de ter sido fiador ou avalista de terceiros.
A inexperiência de lojistas e consumidores no uso de cheque pré-datado como forma de pagamento a prazo continua sendo o responsável pelo descontrole do orçamento doméstico e altos índices de inadimplência no comércio. A Centralização de Serviços dos Bancos (Serasa) registrou em março recorde histórico de devolução de cheques sem fundos.
O problema, agravado pelo desemprego, está servindo de desculpa para o comércio continuar cobrando juros pesados no crediário ou pagamento com pré-datado. A taxa elevada compensa o risco de concessão do crédito. Daí por que continuam sendo oferecidas facilidades de pagamento. Mas o consumidor deve fugir desse assédio e quem está inadimplente, acertar sua dívida.
O economista Emílio Alfieri, da Associação Comercial de São Paulo, diz que os lojistas não costumam abrir mão da cobrança de encargos de mora na renegociação de dívidas. De todo modo, em financiamento de 12 meses, o inadimplente pode tentar negociar a ampliação de prazo ou deixar para pagar as parcelas em atraso no fim do contrato.


