Para Dieese, custo de vida teve alta de 0,49%
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sexta-feira, 08 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O custo de vida do paulistano subiu 0,49% no ano passado, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). A inflação foi bem mais expressiva, porém, para as famílias de menor renda, por causa do aumento dos gastos com transporte coletivo, alimentação e saúde, principalmente remédios, com peso maior entre as pessoas de menor poder aquisitivo. Nesse segmento, com renda média de R$ 377,49, a inflação foi de 1,23% no ano passado. No segmento intermediário, com renda média de R$ 934,17, o índice ficou em 0,55% e entre as pessoas com maior poder aquisitivo, com renda média de R$ 2.792,90, a inflação foi de 0,24%. Em dezembro, o índice foi positivo, com alta média de 0,15%.
Na média do Índice do Custo de Vida (ICV), os gastos com saúde foram os que mais subiram no ano passado, com a alta de 11,47% no preço dos remédios e produtos farmacêuticos. As despesas com alimentação aumentaram 7,67% e a alimentação ficou 1,99% mais cara, com aumento de 5,01% no preço dos produtos in natura e semi- elaborados, apesar da redução de 0,31% nos alimentos industrializados.
Os itens que sofrem concorrência tiveram redução de preço este ano, mas os serviços continuam subindo, diz a economista Cornélia Nogueira Porto, coordenadora do ICV. Essa tendência foi observada, lembra ela, na análise cumulativa das variações dos preços em 97 e 98. Os medicamentos, por exemplo, aumentaram 25,36% nos dois anos, enquanto os gastos com transporte coletivo subiram 20,11% e os custos de educação tiveram elevação de 21,23%.
Os gastos com transporte individual, ao contrário, tiveram redução de 7,56% no ano passado e de 2,18% no acumulado de 97 e 98. Os itens que tiveram as maiores reduções no ano passado foram o vestuário, que ficou 7,43% mais barato e equipamentos domésticos, cujos preços baixaram 5,52%.
Apesar do índice anual positivo, o ICV foi negativo nas três faixas de renda no segundo semestre. Essa queda generalizada pode ser uma evidência de um processo recessivo que se delineia este ano, diz Cornélia. A previsão para este ano é uma variação negativa, mas o índice de janeiro deve ser positivo, por causa do aumento nos preços das passagens de ônibus. O aumento de 15% na passagem individual deve resultar numa variação de 0,50% no índice médio, mas o impacto é bem maior entre a população de menor renda. Para o estrato 1, a inflação começa com 0,86% em janeiro. Para os que ganham mais, o impacto é de 0,33%. Esse índice pode ser amenizado com a redução dos preços de outros itens, diz Cornélia.


