São Paulo - É quase certo no mercado de que a taxa básica de juros será elevada na reunião do Copom em abril. Minoria é o grupo que ainda espera manutenção da Selic na semana que vem já que a leitura da ata do Copom do mês passado, agressiva para a maior parte dos analistas, foi reforçada pelo Relatório Trimestral de Inflação. Independente de todos os motivos e justificativas colocados, para a coordenadora do Índice do Custo de Vida (ICV) do Dieese, Cornélia Nogueira Porto, há muita especulação em torno da alta da Selic.
Para Cornélia, que divulgou ontem a aceleração de 0,48 ponto porcentual no custo de vida do paulistano, de 0,43% em março sobre uma deflação de 0,03% em fevereiro, nada confirma a ocorrência de disseminação de altas pelos preços dos 594 itens que compõem o ICV. ''Tivemos um aumento da inflação por conta de pressões pontuais e que não contaminam a inflação como um todo'', diz Cornélia ao reiterar que a aceleração da inflação se deu por conta do impacto do reajuste do salário mínimo sobre os rendimentos das empregadas domésticas (6,02%) e condomínio (7,89%).
''O que queremos mostrar é isso; que não há contaminação da inflação e sim especulação em torno da alta da Selic'', diz Cornélia. E isso, de acordo com ela, fica mais claro por meio de um levantamento feito por sua equipe no Dieese denominado ''Considerações Sobre Estabilidade''. Por este estudo, Cornélia chegou à conclusão de que, apesar do aumento da inflação em março, as taxas do ICV-Dieese indicam a permanência de um comportamento relativamente estável dos preços.
Para a análise da estabilidade dos preços, explica a economista do Dieese, foram levantados, mês a mês, os 594 itens primários do ICV e verificadas as taxas de variação, bem como a porcentagem de itens, segundo o seu desempenho. ''Assim, para a hipótese de estabilidade admite-se variação de mais ou menos 1,00% nestas taxas, ou seja, acima de 1,00% assume-se comportamento inflacionário e abaixo de 1,00%, de deflação'', informa a coordenadora do ICV-Dieese.
Ainda de acordo com Cornélia, considerando-se apenas as porcentagens dos itens estáveis, estas foram agrupadas em 25 trimestres, entre 2002 e 2008. A observação destes resultados, juntamente com as taxas de inflação permite realizar estudos sobre a existência ou não de disseminação inflacionária, entre os bens e serviços que compõem o ICV-Dieese
''Com a observação da série de dados pode-se afirmar que, em quase toro o período analisado, a maioria destas participações, situam-se acima de 50,00%, apresentando comportamento estável'', afirma Cornélia, acrescentando que não foi detectada disseminação inflacionária, exceto em 2002, quando houve receio dos agentes econômicos frente à mudança do presidente da República.

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