Para Delfim, País está
‘‘saindo da armadilha’’
Edson MazzetoCalcanhar de AquilesDelfim Netto, em palestra ontem em Cascavel: câmbio prejudicou o realPaulo Pegoraro
O deputado federal Delfim Netto (PPB-SP) disse ontem em Cascavel que o Brasil está ‘‘saindo da armadilha’’, que era representada por taxa de juros flutuante e câmbio praticamente fixo mantida nos últimos anos, e agora com sua economia sob o regime do câmbio flutuante, vivendo ao mesmo tempo declínio na taxa de juros. Delfim fez palestra na cidade para cerca de quinhentas pessoas, basicamente empresários, sobre ‘‘Perspectivas da economia brasileira’’, a convite de uma empresa de assessoria tributária (a Capita & Sensus).
Para Delfim, o Plano Real, um dos programas de combate à inflação ‘‘mais bem-sucedidos no mundo’’, foi prejudicado pelo câmbio sobrevalorizado, ‘‘o que não fazia parte de sua arquitetura original’’. Aquela situação desestruturou a economia, levou à queda das taxas de crescimento e automaticamente a um quadro de desemprego ‘‘insustentável e que pode levar à desorganização social’’, por exemplo com ‘‘desrespeito ao direito de propriedade’’ - como ocorre no campo, com invasões de fazendas por sem-terra. Apesar do sucesso do Real no combate à inflação, há problemas centrais a serem resolvidos, como a necessidade de reativar as exportações, hoje feitas basicamente por oitenta empresas, a maioria estrangeiras. As nacionais, especialmente as pequenas, foram levadas ‘‘à insolvência’’, e devem ser socorridas ‘‘pelo Banco do Brasil, porque bancos estrangeiros não têm interesse nos exportadores brasileiros’’.
No setor agrícola, grande gerador de empregos, salientou que ‘‘temos dois milhões de produtores de soja, mas só meia-dúzia de grandes exportadores’’. Para ele, o setor requer um ‘‘grande programa de suporte’’, que contemple desde o crédito até a renovação da frota agrícola. Delfim ironizou dizendo que, apesar de todos os problemas no setor, o Ministério da Agricultura ‘‘tem sido um dos melhores do governo, o que mostra a qualidade dos outros’’.
Para Delfim Neto, o País poderia ser chamado de ‘‘Ingana’’ - uma mistura de Inglaterra e Gana, por ser marcado por contrastes, em sua voracidade na tributação da atividade produtiva comparativamente à má qualidade dos serviços públicos devolvidos pelo governo, o nível de emprego e outros fatores. O ex-ministro do Planejamento frisou que os impostos engolem 32% do que é produzido no País (o PIB), enquanto no início do Governo Fernando Henrique Cardoso a carga era de 27%. ‘‘O governo nunca quis uma reforma tributária de verdade’’, completou.

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