Para delegado, há cartel em Londrina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de agosto de 2001
Cláudia Lopes<br>De Londrina 
O delegado operacional da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Márcio Vinicius Amaro, afirmou ontem à Folha que constatou a existência de cartel no setor de postos de combustíveis de Londrina. Ele deve concluir e encaminhar o inquérito ao Ministério Público até a próxima quinta-feira, dia 9.
Amanhã e segunda-feira, o delegado deve indiciar sete donos de postos por constrangimento ilegal. Os nomes dos empresários foram citados no depoimento dado por um proprietário de posto de Londrina que disse ter sido coagido a aumentar os preços em seu estabelecimento, no início deste mês. Vamos indiciar três donos de postos amanhã e quatro na segunda-feira, informou. As intimações foram enviadas ontem.
Para Márcio Amaro, o constrangimento já comprova a formação de cartel. A ação de coagir concorrentes que queriam cobrar menos e a política de preços no município estão atreladas. Temos provas suficientes para o indiciamento. O grupo de empresários só constrangeu o depoente porque queria que ele revertesse o preço para o piso estabelecido pela categoria. Isso é cartel.
Na próxima terça-feira Márcio Amaro vai ouvir o proprietário do Posto Carajás, Emilio Santaella, que sofreu um atentado em maio desde ano, quando teve sua casa e três carros baleados. O delegado acredita que o atentado tenha ligação com os casos de coação sofridos por donos de postos da cidade neste mês. Amaro ouviu ontem o dono da barraca de lanches localizada em frente ao Posto Tiradentes. O vendedor de lanches confirmou que viu a movimentação de um grupo de donos de postos no local no último dia 18, disse o delegado. Naquela data, o posto Tiradentes baixou os preços da gasolina para R$ 1,70 e do álcool para R$ 0,99. Um grupo de donos de postos foi até o local e pressionou o dono do estabelecimento a aumentar novamente os valores. O posto Tiradentes foi fechado anteontem.


