Para dar conta, Marisa tem rotina cronometrada
Além dos desafios enfrentados no mercado de trabalho, muitas mulheres acumulam os cuidados com os filhos, o marido e a casa. É o caso de Marisa Ribeiro Furlan, 46 anos. Sócia de uma empresa de contabilidade em Londrina, a rotina de Marisa começa às seis horas e só termina no final da noite. São pelo menos oito horas no escritório, duas a três horas dedicadas aos serviços domésticos, cuidados ao marido e ao casal de filhos, de 17 e 15 anos, e a faculdade de Direito.
''Eventualmente ainda instruo um curso de Departamento Pessoal'', acrescenta. O segredo para dar conta de tantas atividades, segundo a profissional, é planejamento e disciplina. ''Meu tempo é cronometrado. Conto com o incentivo do marido e dos filhos para investir na profissão. Creio que quando se trabalha com prazer a gente não cansa'', opina.
Marisa começou a trabalhar aos 17 anos e não parou mais. ''Quando fiz o curso de Ciências Contábeis na UEL (Universidade Estadual de Londrina) a faculdade era paga e precisei trabalhar para bancar os estudos. Mesmo depois de formada continuei neste ramo porque os escritórios de contabilidade não costumavam contratar mão-de-obra feminina e inexperiente e ainda havia o dificultador de ser casada e ter um filho pequeno quando foi recém-aprovada a licença-maternidade'', relembra.
Marisa lembra que para voltar logo ao mercado de trabalho não cumpriu integralmente as duas licenças-maternidade, além de levar o filho por seis meses à loja onde trabalhava.
Depois de 15 anos na profissão, Marisa analisa que, embora a mulher ainda precise batalhar para conseguir respeito e salários compatíveis com o cargo exercido, a força feminina é numerosa nas empresas de contabilidade. ''Um exemplo é o local onde trabalho. Dos 22 funcionários apenas quatro são homens'', finaliza. (C.V)





