Para CUT, baixar juros é saída para conter desemprego
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quinta-feira, 29 de maio de 2003
Theo Saade Jander Ramon<br> Agência Estado 
São Bernardo do Campo - O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, disse ontem que ficou assustado com a taxa de desemprego de 20,6% da população economicamente ativa (PEA) na região metropolitana de São Paulo, segundo o Dieese e a Fundação Seade. Ele argumentou que a única maneira de mudar esse quadro é baixar rapidamente os juros, para ativar a economia, e aprovar as reformas, para recuperar a capacidade de investimento do Estado.
Felício, que esteve na fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu da empresa doações para o programa Fome Zero, cobrou do Banco Central uma redução de 0,5 ponto porcentual a 1 ponto porcentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em junho.
''Tem que mudar em junho, porque se a queda só ocorrer em agosto ou setembro o ano já terá acabado e não teremos condições de recuperar o emprego. Se não houver mudança agora, o segundo semestre será muito difícil'', afirmou Felício. Para ele, o ideal é que a taxa básica de juros seja inferior a 20% ao ano para que o setor produtivo consiga investir e gerar emprego.
O presidente da CUT disse ter ouvido do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, com quem se encontrou nesta semana, que os juros só poderão cair de maneira ''abrupta'' depois de aprovadas as reformas já enviadas ao Congresso. Ele afirmou ainda não estar decepcionado com o governo que, segundo ele, teve que usar os primeiros meses para ''se acertar, ter o controle da inflação e não perder o controle da economia.'' ''Mas está na hora de mudar'', definiu. Felício disse acreditar que o problema do desemprego não é só decorrente da política econômica deste governo, mas também uma continuidade da adotada pelo governo Fernando Henrique.


