O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central aumentou pelo quarto mês consecutivo os juros básicos da economia brasileira. A elevação foi de 1,5 ponto percentual e a Selic – que regula os empréstimos por meio de títulos públicos e, por consequência, serve de parâmetro para toda a economia – foi fixada em 18,25% ao ano. É o maior nível desde março de 2000 (19% ao ano).
O aumento veio acima do que esperava a maioria dos analistas do mercado financeiro. As apostas variavam entre aumentos de 0,5 a 1 ponto percentual. A medida, que tem por objetivo conter pressões inflacionárias, vai acentuar o quadro de menor crescimento econômico previsto para este ano, que já será impactado pela crise de energia elétrica.
A justificativa do BC para o aumento dos juros é que, em um sistema de metas de inflação, a autoridade monetária tem por objetivo atingir o ponto central da meta, que é de 4% para este ano (com margem de dois pontos para cima e para baixo) e de 3,5% para 2002.
O índice utilizado pelo governo no sistema de metas de inflação é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que já acumula variação de 2,42% de janeiro a maio deste ano. Membros da equipe econômica já admitiram, entretanto, que é pouco provável que o objetivo central da meta (4% para este ano) seja atingido.
A crise energética, que reduz a produção e pode gerar inflação, e a escalada do câmbio (encarecendo os produtos importados), são fatores que levaram o BC a aumentar novamente os juros.
Desta vez, o principal fator para a alta do dólar são as mudanças no sistema cambial da Argentina para operações de exportação e importação anunciadas na última sexta-feira. Isso gerou temor nos investidores de uma desvalorização cambial no país e pressionou a cotação da moeda norte-americana no Brasil.
Além do impacto no crescimento da economia, o novo aumento da taxa de juros também terá reflexos na dívida pública. Uma elevação de 1,5 ponto percentual na Selic gera um aumento da dívida em, aproximadamente, R$ 4,1 bilhões em doze meses. Isso ocorre porque a dívida atrelada à variação da taxa de juros estava em R$ 278,49 bilhões em abril.
A diretoria do BC optou por manter o viés (tendência) da taxa Selic em neutro, o que significa que o presidente da instituição, Armínio Fraga, não poderá mexer nos juros antes da próxima reunião do Copom, marcada para os dias 17 e 18 de julho. Para alterar a taxa antes desta data, Fraga terá de convocar um encontro extraordinário do Comitê.
CâmbioO dólar comercial caiu 0,40% ontem ao fechar vendido a R$ 2,469, após atingir por dois dias úteis consecutivos altas recordes do Plano Real. A queda de ontem, porém, foi pequena, se comparada com o ganho de 2,73% contabilizado pela moeda norte-americana na segunda e terça-feira desta semana. Neste mês, o dólar acumula ganho de 3,96% frente o real e, em 2001, de +26,55%.
A melhora de alguns indicadores econômicos argentinos e a expectativa de ingresso de recursos no País de cerca de US$ 1 bilhão por estes dias animaram tesourarias de bancos a vender moeda para realização de lucros.

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