Para 'conter' Trump, montadoras querem acordo Mercosul-Europa
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quarta-feira, 07 de março de 2018
Jamil Chade, correspondente<br>Agência Estado 
Genebra - As principais montadoras do mundo pedem um acordo comercial entre o Mercosul e Europa como forma de dar uma "resposta" à onda protecionista de Donald Trump, nos EUA. Para a Oica (Organização Internacional de Construtores Automotivos), existe uma janela de oportunidade de apenas seis meses para que o tratado comercial entre os dois blocos possa ser fechado. O acordo vem sendo negociado há 18 anos e entrou em 2018 em sua reta final.
"Não temos muito tempo para permitir que haja um acordo", afirmou o presidente mundial da Oica e ex-ministro de Transporte do governo alemão, Matthias Wissmann. "Temos eleições no Brasil e na Argentina. Além disso, o Parlamento Europeu também passará por uma eleição", apontou. "A janela de oportunidade é de apenas meio ano para que haja um acordo e por isso apelamos para que os responsáveis políticos na Europa e no Mercosul façam o possível para chegar a um acordo", insistiu.
Sua avaliação é de que, com mudanças de governos em ambos os lados, o risco é de que o processo seja adiado por mais alguns anos.
O alemão afirmou ainda que um tratado entre os dois blocos daria um sinal positivo para os mercados, em meio à onda protecionista. "O protecionismo está em alta e veja o tom usado nos últimos dias a partir de Washington", afirmou o executivo, diante do anúncio do governo americano de que irá aplicar tarifas de importação ao setor siderúrgico.
"Precisamos de acordos com o Mercosul para conter a onda protecionista", disse Wissmann, durante o Salão do Automóvel em Genebra, um dos mais importantes do mundo.
CÍRCULO VICIOSO
As montadoras indicaram que estudam formas de tentar influenciar líderes políticos para "evitar um círculo vicioso de medidas protecionistas". No fim de semana, Trump acenou para a possibilidade de que, depois do aço, barreiras sejam estabelecidas contra carros europeus e asiáticos.
"Não existem dúvidas de que a competição é dura entre montadoras. Mas a realidade é que nenhum país pode satisfazer sua demanda com sua própria produção", alertou Wissmann. "O livre mercado e fim de barreiras são importantes para o emprego, crescimento e prosperidade", disse.
Na avaliação do presidente da entidade de montadoras, privilegiar a produção local só faz sentido quando existe a oportunidade de exportar. Mas se mercados estão fechados, esse caminho também não seria viável.
Ele ainda lembrou do papel dos fornecedores que, num carro, representam 75% do valor do produto final. "Temos de fazer de tudo para evitar novas barreiras", disse.
"Apelamos para que fronteiras estejam cada vez mais abertas, e não fechadas. O populismo de esquerda ou de direta questiona abertura comercial. Temos de manter mercados abertos", completou.
'AMIGOS'
A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse nesta quarta-feira que México, Canadá "e outros" poderão ser isentos das tarifas que Trump pretende impor sobre as importações de aço e alumínio. Ela também confirmou que o presidente deve assinar um decreto sobre o assunto até o final da semana.
As declarações de Trump vieram na esteira de reclamações por parte do governo canadense sobre o plano de tarifação da Casa Branca, em meio às negociações para uma revisão do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês).
Os planos do presidente espalharam preocupações de uma possível guerra comercial pelos mercados internacionais. China, Japão e outros exportadores de aço devem ser os mais penalizados pela política protecionista, que beneficiou ações de siderúrgicas americanas nos últimos dias.
Sarah disse que a possível isenção dos países do Nafta está sendo considerada por questões de segurança nacional, acrescentando que os demais países a serem isentos serão avaliados caso a caso.
Na semana passada, Trump anunciou que pretende tarifar as importações de aço em 25% e de alumínio em 10%. Contrário à ideia, o diretor do Conselho Nacional Econômico da Casa Branca, Gary Cohn, renunciou ao cargo nesta terça-feira (6).


