São Paulo - Na hora de comprar uma geladeira, máquina de lavar roupa ou armário são poucos os consumidores que chegam à loja com o dinheiro na mão e de uma só vez pagam o preço do produto. Boa parte dos consumidores só vai conseguir adquirir um bem de valor mais alto se puder pagá-lo em pelo menos três parcelas - não raro as lojas oferecem a possibilidade de parcelar as compras em seis, dez, 12 ou até 24 meses.
Se, de um lado, o parcelamento pode ser a única forma de os consumidores adquirirem bens necessários, como móveis e eletrodomésticos, por outro, é preciso fazer cálculos cuidadosos para evitar entrar em uma dívida que se torne muito pesada ou até impagável ao longo do tempo.
A primeira atitude antes de consumir é a mesma de toda compra: pesquisar. E nessa pesquisa entram o preço à vista, o preço final parcelado, o preço das parcelas, o valor dos juros e as condições de pagamento. ''Quem faz uma boa pesquisa antes de comprar cria um hábito de consumo que só traz benefícios'', garante Alessandro Galvão, consultor da Botton Line Solutions. Galvão ressalta que um critério determinante na decisão de compra é avaliar a parcela versus o orçamento mensal: o consumidor só faz a compra se puder pagar o valor da parcela.
Para o especialista em defesa do consumidor Eduardo Gouvêa, o ''foco na parcela'' pode ser um pouco perigoso. ''É preciso tomar cuidado para que o parcelamento não fique muito longo'', diz. Isso porque, a cada mês, incidem os juros do financiamento, que tornam a parcela cada vez maior. ''Ao longo do tempo, o valor da parcela pode aumentar muito e se tornar impagável.''
Por isso, Gouvêa afirma que não basta avaliar somente o valor da parcela na hora da compra: é preciso verificar também a taxa de juros, e se ao longo do tempo o valor da parcela vai continuar sendo viável dentro do orçamento. ''Se o consumidor ficar inadimplente pode ter muita dor de cabeça: nessa situação as condições de negociação são muito desfavoráveis'', diz. Por isso, pense bem antes de comprar.

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