Para Comércio Exterior, não há retrocesso
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sábado, 05 de maio de 2007
Renata Veríssimo<br>Agência Estado 
Brasília - O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Meziat, discorda das avaliações de que a balança comercial está passando por um ''retrocesso'', tornando-se mais vulnerável, e atribui a queda de participação dos produtos manufaturados na pauta exportadora brasileira ao forte crescimento das vendas de produtos básicos.
''As exportações de manufaturados não estão perdendo fôlego. Os básicos é que estão tendo um crescimento muito acelerado'', argumenta. Ele também considera ''uma meia-verdade'' a avaliação de que a balança comercial brasileira tem sido sustentada pelos altos preços das commodities no mercado internacional.
O secretário afirma que está havendo uma recuperação dos volumes exportados. Em 2006, as vendas externas cresceram 12,5% como resultado do aumento de preços e 3,3% em quantidade. No primeiro trimestre deste ano, a expansão das exportações fruto das elevações de preço foi de 9,2% e de 5,7% em volume. Para Meziat, o desempenho de 2006 foi um ponto anormal fora da série histórica dos últimos anos. ''Em 2007, está havendo uma retomada da quantidade exportada, o que é mais saudável porque finca uma estaca nos mercados'', disse.
Estímulo - Segundo os dados do ministério, as exportações de manufaturados cresceram 11,6% no primeiro quadrimestre, índice menor que o das exportações como um todo, que foi de 16,8%. De outro lado, as vendas de produtos básicos subiram 27,9%. Meziat destaca que o aumento das vendas de manufaturados, no entanto, supera a estimativa do ministério de expansão das exportações para este ano, de 10,9%. Entre os produtos de valor agregado com vendas externas em alta, Meziat cita máquinas e equipamentos, aviões e automóveis.
O secretário afirma que, dentre as preocupações do governo, está a de estimular as empresas a agregar valor aos seus produtos. ''Isso está acontecendo em certa medida'', disse. Segundo ele, o setor de calçados, por exemplo, remodelou sua produção e, ''em vez de copiar os chineses'', está produzindo sapatos de melhor qualidade e diferenciados. Com isso, as empresas estão tentando compensar a queda das exportações em volume. No primeiro quadrimestre, as vendas externas de calçados caíram 4% em relação ao mesmo período de 2006. Houve uma redução de 8,1% em volume e um aumento de 8,6% em preço.
''Eu olho para o Brasil e vejo que as exportações são extremamente positivas. Não vejo essa vulnerabilidade na balança comercial'', afirma, em relação às analises de especialistas em comércio exterior.


