Para comerciantes, obras da Sergipe não vieram em boa hora
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sábado, 05 de novembro de 2011
Aline Vilalva <br> Reportagem Local 
Ainda neste mês deverão ser concluídas as obras de revitalização da Rua Sergipe, tradicional via comercial do centro da cidade, no trecho entre a Avenida São Paulo e a Rua Professor João Cândido. Os trabalhos, que começaram na terça-feira, rendem elogios e também reclamações, principalmente por atrapalhar o movimento do comércio, que começa a aquecer neste período do ano.
De acordo com a empresária Neucimara de Oliveira, da Encantare Acessórios e Alianças, já no primeiro dia da reforma o fluxo de clientes experimentou queda e, até ontem, o movimento tinha caído aproximadamente 50%. ''Acredito que as alterações serão positivas, mas o problema é a época em que estão sendo realizadas porque em novembro o número de clientes já é maior por conta do Natal'', reclama.
A gerente da Billie, Aline Rosane Rosa, conta que as obras a pegaram de surpresa. ''Reinauguramos a loja no mesmo dia que começou a reforma, depois de ficarmos fechados por 15 dias, e isso foi um transtorno'', desabafa. Desde terça-feira, o estabelecimento percebeu redução no número de clientes. ''Nossa previsão era ficar com a loja lotada, mas o movimento está moderado.'' Por outro lado, ela considera que a mudança de layout da rua será benéfica para o comércio daquela região, ''a exemplo do que houve com o calçadão''.
O comerciante Fábio Ajita, da Jóia Calçados, também teme que a reforma influencie negativamente, no momento, mas considera que é um transtorno necessário e pequeno, ''em vista da grande melhoria que está por vir''. ''Tudo o que fazemos para melhorar ajuda a atrair clientes. Se estamos no mercado, investimentos como esses são inevitáveis e uma obrigação dos comerciantes'', diz. Ele lembra que o retorno não é imediato, mas pode ser percebido a longo prazo ''porque hoje em dia os clientes estão exigentes e procurando lugares mais agradáveis para fazer suas compras''.
''Está ruim agora, mas vai valer a pena. Todo começo de obra é assim'', opina por sua vez Marcos Cassa, da Ótica e Relojoaria Quintino. Para o empresário, o mais importante é que a obra seja concluída antes de dezembro, para não atrapalhar o movimento das lojas. Ele considera que a revitalização será benéfica não apenas para o comércio daquela região, mas para a cidade porque vai melhorar o tráfego no Centro.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, explica que a demora de alguns comerciantes para aderir ao projeto foi o motivo que postergou o início das obras. ''Não podemos começar a mexer em um quarteirão se 100% dos empresários não estiverem de acordo porque é uma parceria público-privada, que envolve ambas as partes'', justifica.
Segundo ele, após concluídas as obras deste trecho, haverá uma pausa e os trabalhos serão retomados em janeiro, dependendo da adesão dos comerciantes. Ele espera que depois de concluída a revitalização deste quarteirão piloto, os empresários que ainda não aceitaram o projeto, por não acreditarem que seria possível, também vão aderir. ''É um novo exercício para Londrina, que depende de todos colocarem o 'nós' na frente do 'eu''', observa.
O secretário municipal de Obras de Londrina, Bruno Morikawa, complementa que a reforma deve ser finalizada em menos de duas semanas para não atrapalhar os comerciantes. ''Estamos fazendo isso de maneira simples e rápida, sem exigir contratação de terceiros'', esclarece. A Acil complementa que a reforma de todos os quarteirões deve ser concluída no primeiro semestre de 2012.
Alterações
Entre as mudanças do projeto estão a remoção do atual piso, conhecido como petit pavet, que será substituído pelo paver, reinstalação de meio-fio, redução das calçadas (um metro de cada lado) para alargar a via em dois metros, retirada e plantio de árvores e flores. Conforme a presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Regina Nabhan, o valor estimado para o poder público nas quatro quadras do projeto (desde a Minas Gerais até a Pernambuco) é de aproximadamente R$ 1 milhão.


