Brasília - O processo de recuperação da atividade da indústria sofreu uma parada em fevereiro. De acordo com levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), as empresas mantiveram o nível de produção de janeiro e tiveram uma queda marginal no número de horas trabalhadas e pequenos aumentos nos salários pagos e empregos criados. As vendas caíram 4,51%, mas em decorrência do menor número de dias úteis do mês. ''A avaliação mais geral é de que tivemos uma certa acomodação no nível de atividade da indústria'', afirmou o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.
A interrupção do processo de corte da taxa básica de juros e o cenário político mais adverso, vivido no início do ano, justificam, segundo Castelo Branco, essa parada no ritmo de recuperação. ''Tivemos uma mudança no humor e na confiança dos agentes econômicos'', constatou o economista. Ainda assim, ele demonstrou confiança na retomada do nível de atividade industrial a partir deste mês. ''O quadro melhorou e vem melhorando'', disse. ''Mas a intensidade dessa recuperação é uma pergunta que ainda temos dificuldade em responder.''
A queda de 4,51% no volume de vendas em fevereiro, em relação ao mês anterior, não assustou os técnicos da CNI. Por se tratar de um mês mais curto, e pelas comemorações do carnaval, o movimento foi considerado normal. ''Tirando os efeitos sazonais do cálculo, a retração nas vendas foi de apenas 0,94%'', disse Castelo Branco. Nos dois primeiros meses do ano, as vendas industriais ficaram 5,93% acima do apurado no primeiro bimestre de 2003. ''Acomodamos num patamar superior ao verificado no início do ano passado'', salientou o economista.
A manutenção do nível de utilização da capacidade instalada da indústria em 80,4% corroborou, segundo Castelo Branco, a avaliação feita sobre a acomodação da produção industrial. A retração de 0,27% no número de horas trabalhadas e o aumento de 0,57% no número de empregados também reforçam o quadro desenhado. No bimestre, o nível de emprego na indústria ficou 0,04% abaixo do registrado em 2003. No caso das horas trabalhadas, a queda no período foi de 0,22%.
A massa de salários paga pela indústria foi o único indicador apurado pela CNI que mostrou uma trajetória mais firme de crescimento em fevereiro. Tirando os efeitos sazonais, os salários pagos em fevereiro no setor ficaram 1,20% acima do registrado em janeiro e 7,24% acima do verificado em fevereiro do ano passado. ''A tendência para 2004 é seguir esse ritmo de recuperação'', disse Castelo Branco. ''Não vai ser uma melhora muito intensa, será moderada, mas constante.
Para o economista, a indústria só terá condições de avaliar qual será seu ritmo de recuperação à medida que ficar mais clara qual será a tendência das taxas de juros. ''O ritmo das vendas industriais depende fundamentalmente da trajetória de juros'', disse Castelo Branco. Esse comportamento está atrelado tanto à taxa básica definida pelo Banco Central, a Selic, quanto aos juros cobrados no mercado.

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