A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reviu para cima suas estimativas e acredita que a economia brasileira começa a entrar em um círculo virtuoso no segundo semestre de 2000. A perspectiva da entidade é que a indústria cresça 6% neste ano e continue liderando a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – soma das riquezas produzidas no País –,á que deve ficar em 4% ante o crescimento de 3% projetados anteriormente. No final do ano passado, os técnicos da CNI acreditavam que a atividade industrial cresceria 4%.
Setor deverá puxar crescimento da economia brasileira, cuja taxa de expansão também foi revista e deverá ficar em torno de 4%
O economista da entidade, Flávio Castelo Branco, disse que o aumento entre 4% e 5% no número de vagas no mercado de trabalho, além de ser um reflexo de que a economia mostra sinais de crescimento sustentado, contribui para a elevação da renda e, consequentemente, a ampliação do consumo. ‘‘No segundo semestre, com o aumento do emprego e maior renda, estaremos entrando em um círculo virtuoso.’’
Para o especialista em assuntos trabalhistas, José Pastore, a cada ponto porcentual de aumento no PIB são criados entre 350 mil e 400 mil empregos. Se as projeções tanto do governo quanto da CNI forem alcançadas, o mercado de trabalho poderá ampliar em até 1,6 milhão o número de vagas em todos os setores da economia.
Pastore alerta, entretanto, para a qualidade dos postos de trabalho que estão surgindo. A cada cem vagas abertas, 90 estão concentradas no setor informal. Essa também é uma preocupação do governo, pois já foi expressada pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo. Apesar da perspectiva favorável em relação ao mercado de trabalho, os índices de desemprego devem ficar em 7,3%, em média no ano, de acordo com estudo Economia Brasileira: desempenho e perspectivas da CNI, divulgado ontem pelo presidente da entidade, Carlos Eduardo Moreira Ferreira. Isso porque com o aquecimento da economia, as pessoas que estavam desempregadas mas já haviam desistido de procurar trabalho, voltam ao mercado engrossando os números de desempregados que são registrados pelas pesquisas.
As projeções otimistas da CNI foram feitas estimando um cenário de queda contínua da taxa de juros básicos anual da economia (Selic) até atingir 16% ou 15% até dezembro. Atualmente a taxa Selic é de 17,5% ao ano. A previsão dos economistas da entidade é que há espaço para alcançar uma taxa real (descontada a inflação) de 10% ou 9% até o fim de 2000. ‘‘Acredito que o Banco Central continuará a seguir a tendência de queda das taxas de juros’’, disse Moreira Ferreira. A política de redução dos juros, aliada à inflação reduzida (a expectativa da entidade é de inflação de 6% em 2000) e à melhora do crédito, levou os empresários a estimar maior investimentos para ampliação da capacidade instalada da indústria.
De acordo com o estudo, o aumento do uso da capacidade instalada induz os empresários a decidir por investimentos. Para Moreira Ferreira, os empresários estão mais animados a fazer investimentos por causa das perspectivas positivas da economia brasileira. ‘‘As políticas econômica e cambial que estão sendo levadas de forma dirigida e realistas estimulam os investimentos tanto internos quanto vindos do exterior.’’
Balança ComercialDiferentemente da projeção do governo anunciada na segunda-feira para superávit da balança comercial de US$ 2,8 bilhões, a CNI reviu a projeção para baixo e acredita que o saldo brasileiro para o ano deva alcançar superávit de US$ 1,1 bilhão, ante US$ 3 bilhões estimados anteriormente.
Com esse resultado, a CNI projeta um déficit de conta-corrente (resultado das transações comercias entre o Brasil e outros países) de US$ 25 bilhões ante US$ 23 bilhões estimados pelo Banco Central. De acordo com Flávio Castelo Branco, essa conta é financiada principalmente pelos investimentos diretos que ingressam no País.

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