A redução de 20% no consumo industrial de energia elétrica, tendo por base o ano 2000, significa retornar aos níveis de consumo do início da década de 90, afirmou ontem, na Câmara dos Deputados, o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Carlos Gomes Carvalho. Carvalho participou, juntamente com especialistas convidados pela Comissão de Minas e Energia e Frente Parlamentar Nacionalista, de um debate sobre a questão da energia elétrica no plenário da Câmara dos Deputados. Apesar de convidado, o governo não enviou representantes.
O vice-presidente da CNI chamou a atenção dos parlamentares para o fato de o impacto do racionamento sobre a atividade produtiva das empresas não se limitar aos efeitos diretos. ‘‘A capacidade de produção de uma empresa pode ser afetada porque seus fornecedores ou compradores não estão sendo capazes de produzir adequadamente’’, disse. Carvalho também afirmou que uma redução de 20% no consumo de energia elétrica pelo setor industrial vai, na verdade, representar 25%, porque do ano passado para cá o nível médio de produção cresceu cerca de 7%.
O vice-presidente da CNI praticamente apresentou no debate a prévia de um plano que a entidade irá aprovar no próximo dia 29 e encaminhar ao governo. Nele a CNI solicita que o governo autorize que conjuntos de empresas situadas no mesmo subsistema interligado formem consórcios com o objetivo de cumprir, como grupo, o somatório das cotas estabelecidas para cada um dos seus membros.
A CNI também quer que a empresa tenha o direito de poder remanejar a utilização da energia entre suas unidades produtivas e que a cota de redução do consumo seja inferior a 20% para o segmento industrial de baixa tensão. A entidade ainda reivindica que os cortes punitivos para o setor produtivo sejam suprimidos e que todas as medidas do racionamento, inclusive as de natureza operacional, sejam prontamente explicitadas para diminuir a incerteza do mercado.

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