Para CNA, carne bovina e frango foram penalizados
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quinta-feira, 30 de setembro de 2004
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília - O chefe do Departamento de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antônio Donizeti Beraldo, classificou como decepcionante e muito ruim a nova proposta da União Européia para o Mercosul. A proposta foi apresentada quarta-feira e avaliada pelo Itamaraty como um retrocesso. Em linhas gerais, foi mantida a proposta inicial, apesar dos europeus terem sinalizado, há algumas semanas, com uma proposta melhorada para o Mercosul, disse.
O representante avaliou que o maior recuo, no caso da agricultura, foi a questão das cotas e que a carne bovina e de frango foram os segmentos mais penalizados. Em conversas em Bruxelas, contou, os europeus chegaram a sinalizar com cota melhorada de 156 mil toneladas para compra de carne bovina dos países do Mercosul. No entanto, a proposta apresentada manteve a cota anual de 116 mil toneladas.
Para o frango, foi mantida a versão original de 75 mil toneladas. Os europeus chegaram a sinalizaram, informalmente, com cota de 275 mil toneladas para o frango do Mercosul. Para a agricultura, a oferta da União Européia está baseada em três pontos: redução gradativa de tarifas por um período de até 10 anos, cotas e tratamento diferenciado para produtos agrícolas processados.
Estimativas do Ministério da Agricultura apresentadas pelo técnico da CNA mostram que os ganhos do bloco, considerando a oferta inicial que foi mantida, chegariam a US$ 2,5 bilhões ao ano. Desse total, US$ 1,8 bilhão viriam pela redução de tarifas, US$ 600 milhões das cotas e US$ 100 milhões via produtos agrícolas processados (PAP). Se confirmadas as cotas apresentadas verbalmente, só nesse item o ganho seria de US$ 1,2 bilhão, comentou.
Apesar da decepção com a oferta européia, ele disse que não é hora de jogar a toalha. As duas propostas estão na mesa e é hora de partir para a negociação, afirmou Beraldo. Para discutir a proposta da União Européia, a CNA deve convocar representantes do agronegócio para uma reunião na próxima semana, provavelmente em Brasília.
A recusa da UE em discutir temas de apoio interno ao setor agrícola na negociação com o Mercosul não surpreendeu o agronegócio brasileiro, afirmou Beraldo. Ele contou que o assunto foi um dos fatores que complicou as discussões para ormação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Mas ele lembrou que a negociação para redução das medidas de apoio interno é um dos pontos do documento atual da negociação da OMC. O agronegócio não quer que o apoio interno faça parte das negociações, pois considera o assunto muito delicado, afirmou Beraldo. O fim do apoio interno não é fundamental. O principal ponto defendido pelo agronegócio é o fim dos subsídios à exportação, completou. Os subsídios à exportação, argumenta, resultam em sobreoferta e queda dos preços internacionais.


