Para CNA, ajuda é insuficiente
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quinta-feira, 06 de abril de 2006
Folhapress 
Brasília - O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, informou que não está totalmente definido o impacto das medidas para o governo, mas citou o R$ 1 bilhão liberado para a comercialização da safra mais R$ 280 milhões referente a prorrogação das dívidas de investimento. Se todos os pedidos da Agricultura fossem atendidos, a renúncia fiscal do governo seria de R$ 6 bilhões.''
Na avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), há avanços em determinadas áreas, mas terá que haver nova renegociação em 2007. ''Estamos avisando desde já. Nem com uma safra excepcional conseguiríamos pagar o custeio de duas safras em 2007'', disse a vice-presidente de secretaria da CNA, a deputada Kátia Abreu (PFL-TO), citando a prorrogação das dívidas de custeio de 2005 por 12 meses. Ela queria 20 anos.
O presidente da Confederação da Agricultura e da Pecuária e do Brasil (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, considerou ''positivo'' mas ''insuficiente'' o pacote agrícola anunciado pelo governo. Segundo ele, a contribuição do governo para o setor que produz cerca de R$ 180 bilhões por ano ainda é pequena, pois não atingiu um dos principais problemas do setor, que são dívidas antigas de securitização e do Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa). Essas dívidas, segundo ele, seriam ''um chumbo'' que amarra o setor há algum tempo.
Isso porque o peso do pacote nas contas do governo neste ano está estimado em aproximadamente R$ 1,2 bilhão (R$ 1 bilhão em crédito extra para a comercialização e R$ 280 milhões em equalização na prorrogação de dívidas).
O próprio ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, ao anunciar as medidas ontem, admitiu que a ação do governo agora tem um caráter conjuntural. ''Tenho consciência de que as medidas tomadas agora dão um alívio momentâneo com expectativa de que a gente saia desse ciclo negativo'', disse. Ele informou, no entanto, que o Plano de Safra, previsto para junho, deverá garantir a tranquilidade aos produtores para o novo plantio.
Rodrigues reconheceu que a crise enfrentada pelo setor se agravou ainda mais desde o ano passado, quando problemas climáticos afetaram a produção de grãos. ''O poço afundou mais'', disse o ministro, ao comentar os efeitos da gripe aviária no preço do milho, por exemplo, a continuidade do câmbio desfavorável, e o endividamento do setor.


