Herondino Mariano Junior, administrador de empresas, e Ana Célia Pagnan, advogada, levam a economia doméstica tão a sério que hoje se tornaram ''mestres'' no assunto. Ana e Mariano são casados há 14 anos, têm dois filhos - Adriano de 12 anos e Rafael de 9 -, e resolveram levar tudo sobre o mais absoluto controle um pouco antes do ''sim''. Quando retornaram da lua-de-mel, Mariano comprou um livro-caixa. Ana achou que a experiência não seria levada tão a sério.
O casal tinha alguns objetivos claros em mente: o primeiro era não ficar no ''vermelho'', ou seja, começar a vida de casados sem dívidas, e o segundo era fazer uma poupança para construir a casa própria. Eles não perderam tempo. De imediato venderam um carro para comprar um terreno.
Mariano explica que antes de se fazer um planejamento, o primeiro passo do casal é controlar as despesas - saber o quanto ganha, o quanto gasta e identificar o que é supérfluo. Feito isso, Ana e Mariano estabeleceram como meta uma economia entre 20% a 25% da renda mensal.
Segundo o casal, uma das principais vantagens do planejamento financeiro é ter uma reserva para uma situação de emergência ou para comprar um bem material, além de proporcionar a sensação de segurança. E, se houver necessidade de se fazer uma dívida, saber o que vai pagar e até quando.
O controle é tão rigoroso que é possível saber o gasto individual das quatro pessoas da família em qualquer instante. É o que Mariano identifica como ''centro de custos''. Ele tem tudo anotado, qualquer despesa, a partir do casamento e desde quando os filhos nasceram. Nos primeiros três anos, o controle foi feito em um livro-caixa e há mais de dez anos é todo feito em uma planilha no computador. O controle, porém, não se baseia apenas em coisas do passado. O casal tem um programa no computador com uma nítida visão de suas receitas e despesas pelo menos nos próximos três anos.
Sem desgaste - Ana e Mariano afirmam que, se o casal tem um rígido controle financeiro, ''muitos dos problemas familiares deixam de existir''. Mariano revela-se uma pessoa bem objetiva: ''O casal precisa ter amor, ter carinho, mas o dinheiro é importante; não existe essa de que vamos viver só de amor, é aquela história de que o amor não enche barriga''.
Mariano diz ainda que, se o casal se organiza em função do que ganha, evita o desgaste no relacionamento, a frustração. Ele exemplifica da seguinte forma: um casal com renda de R$ 1.000,00, pode achar que dá para comprometer R$ 400,00 de prestação na compra de um carro, mas não leva em conta outras despesas decorrentes da aquisição, tais como o seguro, o IPVA, o combustível e a manutenção do veículo, sem falar nos juros de financiamento: ''Na verdade, o carro não está custando só R$ 400,00; ele vai ficar pelo menos 20% mais caro do que a pessoa pode pagar'', afirma.
O casal procura estar sempre bem informado sobre o assunto e a internet é o meio mais utilizado ''por ser gratuita''. A pesquisa sempre começa com o tema ''finanças do lar''. Ana e Mariano falam também da importância de ensinar economia doméstica desde cedo para os filhos. Cada um deles, Rafael e Adriano, tem seu livro-caixa: ''É preciso ensinar noções de valores para os filhos desde cedo; poupar faz parte da vida'', afirmam. E eles, mesmo achando um pouco ''chato'', já estão aprendendo os conceitos de poupança.
De vez em quando, Ana e Mariano são convidados a dar palestras sobre o assunto em cursos de noivos. Além de passar sua própria experiência, eles ainda apresentam um perfil das pessoas em relação às finanças e aplicam uma dinâmica de grupo sobre como elaborar uma planilha com base em uma renda de R$ 900,00, que é a renda de 60% dos brasileiros, segundo o IBGE.
Ana e Mariano concordam com o conceito defendido por alguns autores de que os casais podem alcançar a prosperidade não em função do que ganham, mas do que economizam: ''O problema maior é a tentação de querer gastar mais do que se ganha''. Graças à poupança feita ao longo dos anos, Ana e Mariano conseguiram construir a casa própria em apenas sete meses e dobrar o patrimônio do casal em apenas três anos.

mockup