Para Brasil, projeção é de 'otimismo cauteloso'
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que o Brasil poderá retomar uma trajetória de crescimento econômico mais ambiciosa a partir do segundo semestre do próximo ano, desde que não ocorram novos choques externos que a fetem o País mais diretamente.
Em junho, num estudo sobre o Brasil, a OCDE disse que a melhora dos fundamentos da economia brasileira havia colocado o País no limiar de uma trajetória de crescimento sustentável. O analista da organização para o Brasil, o economista Joaquim Oliveira Martins, disse que essa conclusão permanece válida. ''Esses fundamentos que constatamos no Brasil no final de 2000 sofreram sucessivos choques neste ano'', disse Martins à Agência Estado. ''Mas a economia brasileira reagiu bem, os seus principais fundamentos continuam sólidos e não vemos uma mudança radical nas perspectivas.''
Ele ressaltou que a economia brasileira deverá crescer cerca de 2%, em 2002 enquanto a média de elevação do PIB entre os países da OCDE será de apenas 1%.
Martins explicou, no entanto, que há ainda muitos fatores de incerteza sobre os rumos da economia mundial. Por isso, em seu estudo ''Perspectiva Econômica'', divulgado ontem, a OCDE alertou que uma redução dos fluxos de capitais internacionais poderia rapidamente causar uma queda de confiança na economia brasileira. A OCDE observou que a estrutura da dívida brasileira mostra que o País tem uma alta demanda por fluxos de capitais para poder pagar suas obrigações e também financiar o seu déficit de conta corrente. ''Esses são fatores condicionantes que precisam ser levados em conta, mas a nossa avaliação para o Brasil mantém um otimismo cauteloso'', disse Martins.





