O ex-vice chairman do Federal Reserve e professor da Universidade de Princeton, Alan Blinder, disse ontem, em seminário no Fórum Econômico Mundial, que os mercados emergentes terão um ano muito difícil por causa do desaquecimento da economia norte-americana, mas o Brasil será menos afetado. ‘‘O Brasil tem uma base de exportações muito mais variada do que o México, por exemplo’’, disse Blinder. Ele observou, porém, que o Brasil também está ‘‘na vizinhança’’ dos EUA e será afetado.
Quanto aos fluxos de capital para o Brasil, Blinder disse que tudo vai depender mais dos eventos internos do Brasil do que dos EUA. O economista elogiou presidente do Banco Central brasileiro, Armínio Fraga. ‘‘O Brasil tem uma história muito agitada, mas nos últimos tempos tem um presidente de BC excelente, que, por coincidência, foi PHD em Princeton e está fazendo um trabalho fabuloso. Tudo está dando certo e hoje as finanças do Brasil estão estáveis como há muito não se via’’, afirmou.
Quanto à Argentina, Blinder disse que o país vai se beneficiar quando o dólar americano cair em relação às outras moedas. O economista disse não acreditar em um risco de recessão profunda nos EUA. Blinder acha que a economia americana vai se desacelerar, mas ainda deverá crescer 2% neste ano. ‘‘É lógico que uma desaceleração brusca como esta do crescimento assusta, mas o Fed agiu rapidamente e com correção’’, afirmou. Ele disse que o Fed deverá baixar entre 0,25 ponto e 0,50 ponto a taxa de juros na sua próxima reunião, no final do mês, e que, se necessário, reduzirá o juro para 5% no futuro (hoje está em 6%).
Segundo Blinder, no segundo semestre a economia americana deve começar a se recuperar. O economista avaliou que o efeito da desaceleração americana sobre o crescimento mundial poderá ter algum impacto na Europa e Japão, mas este efeito em alguns países pobres que dependem muito das exportações poderá ser entre ‘‘muito negativo e catastrófico’’.

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