A redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis não garante o aumento das vendas, alertou ontem o secretário de Política Econômica, Amaury Bier. Ele disse que a queda na comercialização não foi provocada pelo aumento do imposto, mas por um conjunto de outros fatores, como oferta de crédito e taxas de juros. Por isso, acredita ele, a mudança da alíquota, isoladamente, poderá não ter efeito importante sobre o consumo. Ele afirmou, ainda, que não há definição do governo sobre a redução da tributação sobre os automóveis.
‘‘A queda no imposto não se reflete em aumento da demanda na mesma proporção’’, comentou. Ele lembrou que, no final do ano passado, as concessionárias levaram algum tempo antes de repassar o aumento do IPI ao preço final dos automóveis. ‘‘Mesmo assim, as vendas continuaram em queda’’, afirmou. Isso porque, além de o preço ficar um pouco mais alto, as taxas de juros estavam num nível elevado e os custos de se tomar um financiamento também aumentaram. ‘‘A elevação da alíquota do IPI teve uma relação tênue com o que aconteceu com as vendas’’, disse o secretário. ‘‘O fator preponderante era o que ocorria com o ambiente macroeconômico como um todo’’.
A tese de que a queda nas vendas dos automóveis não foi provocada pela elevação do IPI é defendida também pelo secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. Ele lembrou que o setor automobilístico vinha enfrentando dificuldades em desovar sua produção antes mesmo da elevação. Por isso mesmo, embora o IPI tenha subido em novembro, os preços dos carros só subiram a partir de janeiro.
Amaury admitiu que o governo foi surpreendido com a redução nas vendas dos automóveis. Ele disse que as alíquotas do IPI foram elevadas dentro de um conjunto de outras medidas de ajuste fiscal, e sua finalidade era aumentar a arrecadação tributária - ao contrário do que ocorreu na prática. ‘‘Eu, pessoalmente, não esperava que a retração nas vendas fosse tão forte’’, disse Bier.
Na época em que o pacote fiscal foi elaborado, havia estimativas de que o aumento do IPI dos carros, em cinco pontos percentuais, e das bebidas, em dez pontos, proporcionariam juntos uma arrecadação extra de R$ 800 milhões neste ano. O que ocorreu no caso dos carros, porém, foi o inverso. No primeiro semestre, o IPI dos carros caiu 11,5%, uma perda da ordem de R$ 72 milhões com relação a 97. Já o IPI das bebidas teve um crescimento de 17,74%, o que significa um ganho de cerca de R$ 174 milhões com relação ao ano passado.

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