Para Bier, IPI menor não eleva vendas
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sexta-feira, 24 de julho de 1998
Agência Estado 
A redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis não garante o aumento das vendas, alertou ontem o secretário de Política Econômica, Amaury Bier. Ele disse que a queda na comercialização não foi provocada pelo aumento do imposto, mas por um conjunto de outros fatores, como oferta de crédito e taxas de juros. Por isso, acredita ele, a mudança da alíquota, isoladamente, poderá não ter efeito importante sobre o consumo. Ele afirmou, ainda, que não há definição do governo sobre a redução da tributação sobre os automóveis.
A queda no imposto não se reflete em aumento da demanda na mesma proporção, comentou. Ele lembrou que, no final do ano passado, as concessionárias levaram algum tempo antes de repassar o aumento do IPI ao preço final dos automóveis. Mesmo assim, as vendas continuaram em queda, afirmou. Isso porque, além de o preço ficar um pouco mais alto, as taxas de juros estavam num nível elevado e os custos de se tomar um financiamento também aumentaram. A elevação da alíquota do IPI teve uma relação tênue com o que aconteceu com as vendas, disse o secretário. O fator preponderante era o que ocorria com o ambiente macroeconômico como um todo.
A tese de que a queda nas vendas dos automóveis não foi provocada pela elevação do IPI é defendida também pelo secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. Ele lembrou que o setor automobilístico vinha enfrentando dificuldades em desovar sua produção antes mesmo da elevação. Por isso mesmo, embora o IPI tenha subido em novembro, os preços dos carros só subiram a partir de janeiro.
Amaury admitiu que o governo foi surpreendido com a redução nas vendas dos automóveis. Ele disse que as alíquotas do IPI foram elevadas dentro de um conjunto de outras medidas de ajuste fiscal, e sua finalidade era aumentar a arrecadação tributária - ao contrário do que ocorreu na prática. Eu, pessoalmente, não esperava que a retração nas vendas fosse tão forte, disse Bier.
Na época em que o pacote fiscal foi elaborado, havia estimativas de que o aumento do IPI dos carros, em cinco pontos percentuais, e das bebidas, em dez pontos, proporcionariam juntos uma arrecadação extra de R$ 800 milhões neste ano. O que ocorreu no caso dos carros, porém, foi o inverso. No primeiro semestre, o IPI dos carros caiu 11,5%, uma perda da ordem de R$ 72 milhões com relação a 97. Já o IPI das bebidas teve um crescimento de 17,74%, o que significa um ganho de cerca de R$ 174 milhões com relação ao ano passado.


