Para BC, real forte contém inflação e pode reduzir juro
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quinta-feira, 26 de abril de 2007
Ney Hayashi da Cruz<br> Folhapress 
Brasília - O Banco Central (BC) já admite que a queda do dólar abre espaço para redução mais acelerada dos juros. Como o real valorizado barateia importações, ajudando a manter a inflação sob controle, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduza a taxa Selic em 0,5 ponto percentual na próxima reunião, em junho.
A sinalização está na ata divulgada ontem da reunião da semana passada, quando o Copom reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, fixando-o em 12,5% ao ano. Na ocasião, três dos sete membros da diretoria do BC votaram por um corte de 0,5 ponto. Mas prevaleceu o voto da maioria.
O argumento de quem defendeu queda maior do juro se resumiu a uma frase: ''Se acumulam sinais de que a contribuição das importações, por meio da disciplina exercida sobre os preços de bens transacionáveis em ambiente de demanda robusta, para a consolidação de um cenário benigno para a inflação no horizonte de projeção, poderá ser maior do que a inicialmente contemplada''.
Ou seja, mesmo num cenário de aumento do consumo, as empresas nacionais não podem elevar seus preços para não perder mercado para os importados, que, com a queda do dólar, ficam mais baratos.
Mas os diretores do BC que votaram pela queda menor dos juros dizem que é preciso considerar que nem todos os preços estão sujeitos à concorrência dos importados - é o caso dos serviços, por exemplo. Além disso, insistem em dizer que o corte na taxa Selic efetuado nos últimos meses ainda não surtiu efeito completo.
Para Alexandre Póvoa, diretor do Modal Asset Management, a ata não chega a esclarecer por completo as razões das divergência entre os diretores do BC., mas diz esperar um corte de 0,5 ponto na próxima reunião do Copom. Ressalta porém, que baseia essa opinião na sua análise da conjuntura econômica, não nos sinais dados pelo BC na ata.''
Já a LCA Consultores, em relatório a clientes, também afirma que a ata do Copom não indica de forma muito clara qual será o rumo dos juros de agora em diante. ''O documento preservou tom cauteloso, sobretudo no que diz respeito à evolução da atividade econômica'', mesmo assim, acredita também numa redução de 0,5 ponto na próxima reunião do Copom.


