Brasília - Apesar da polêmica criada dentro do governo, a decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre o reajuste das tarifas telefônicas foi benéfica para a inflação no médio prazo, segundo o diretor demissionário de Política Econômica do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn.
''Esperávamos 28% de aumento parcelado em três vezes - julho, novembro e uma parte em 2004. Agora, haverá 24% de um só vez'', disse. Na sua avaliação, a vantagem é que, ao efetuar o reajuste de uma única vez, não haverá nenhum impacto na inflação do ano que vem, que tem meta fixada em 5,5% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
As projeções do mercado financeiro para o IPCA de 2004, no entanto, estão em 7%. No relatório trimestral de inflação divulgado ontem, o BC estima um IPCA, índice que serve de referência para o sistema de metas, de 4,2% para 2004. Pelos cálculos dos técnicos do BC, o reajuste autorizado pela Anatel provocará um aumento de 0,56 ponto porcentual na inflação deste ano. Até então, o BC trabalhava com impacto de apenas 0,42 ponto porcentual - o restante ficaria para o ano que vem.
Mesmo com a elevação provocada pelo impacto do reajuste das tarifas telefônicas, Goldfajn argumentou que não seria necessário mudar as projeções que constam do relatório. ''Seria uma mudança muito pequena'', disse.
O diretor fez questão de ressaltar, no entanto, que a definição de um marco regulatório confiável e a garantia de manutenção dos contratos são pontos essenciais para assegurar a manutenção de investimentos estrangeiros no País, especialmente, num momento de forte retração no fluxo de capitais no mundo todo. ''É importante assegurar o marco regulatório e os contratos, apesar de eles não serem os únicos fatores relevantes'', destacou, evitando fazer considerações sobre os arranhões que essa crise entre o ministro das Comunicações, Miro Teixeira, e o órgão regulador do setor provocou.
Segundo ele, a projeção de investimentos estrangeiros diretos de US$ 10 bilhões para este ano é factível e não deverá causar nenhuma preocupação adicional do ponto de vista de financiamento do balanço de pagamentos. Para Goldfajn, se a taxa de rolagem das dívidas que estão vencendo se mantiverem acima de 100%, como já se começa a registrar, os investimentos diretos serão mais do que suficientes para financiar o déficit em conta corrente. ''Ainda haverá sobra'', afirmou.

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