Para BC argentino, Brasil está pior
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de setembro de 1998
Agência Estado 
A unidade de posições entre a Argentina e o Brasil diante da crise, que as autoridades argentinas propalam em público, não são mantidas em auditórios fechados. Em sua edição de ontem, o jornal Clarín, de Buenos Aires, mostrou que o presidente do Banco Central local, Pedro Pou, acha que a situação argentina é melhor que a do Brasil.
Segundo as notas taquigráficas de encontro de Pedro Pou com integrantes do Comitê de Orçamento e Fazenda do Senado, na terça-feira passada, o presidente do Banco Central argentino buscou diferençar a situação de seu país da do Brasil. Em seu relato, Pou assinalou que o Brasil tem 50% de seu produto bruto em dívidas de curto prazo, diante de 30% da Argentina.
De acordo com o mesmo jornal, Pou disse aos senadores que o Brasil tem uma dívida de curto prazo de cerca de US$ 300 bilhões, ou segundo outras estimativas, de US$ 400 bilhões. Está pagando taxas de juros sumamente elevadas que, com a última modificação, equivalem a sete vezes o valor obtido com a privatização da Telebrás, ou algo em torno de 18% de seu produto. Uma situação insustentável no tempo.
Depois de apresentar alguns números relacionados ao comércio Brasil-Argentina, Pou disse que um eventual ajuste do real afetaria somente em 1% o produto argentino. Diante do espanto de seus interlocutores, o presidente do Banco Central argentino teve que admitir que o impacto maior de uma desvalorização brasileira viria pelos mercados de capitais.
Depois de enumerar outras comparações do presidente do BC argentino, o jornal adverte: A experiência mais recente revela que os investidores não fazem distinções quando decidem onde pôr o dinheiro e de onde retirá-lo.


