José Paulo Lacerda/AE
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Audiência públicaCharles Belchier, Pedro Paulo de Souza e Arlindo Chinaglia, ontemO diretor de Crédito Geral do Banco do Brasil, Edson Soares Ferreira, disse ontem que Encol está ‘‘literalmente falida’’ e não tem solução ‘‘nem mercadológica’’. ‘‘As informações que o BB (maior credor da Encol) possui hoje indicam que não há saída para a construtora. A solução é a falência’’, afirmou Ferreira, representando o ministro Pedro Malan (Fazenda) em audiência ontem na Câmara sobre a crise na construtora.
Na opinião do diretor do BB, nem todos os mutuários da Encol conseguirão receber os imóveis comprados. ‘‘Estou convencido de que não será possível atender os 42 mil contratos’’, disse Ferreira, que descartou socorro do governo para salvar a Encol.
Presente à audiência, o ex-interventor da construtora Jorge Washington de Queiroz também demonstrou descrédito com relação às informações de que a Encol estaria buscando investimentos estrangeiros para solucionar a crise. ‘‘A situação passou do ponto de retorno a muito tempo. Nem Jesus Cristo desata esse nó’’. Queiroz disse que o patrimônio líquido negativo da Encol chega a R$ 900 milhões. Segundo ele, a construtora acumula prejuízo de R$ 1,4 bilhão de 96 até agosto de 97, sendo R$ 500 milhões no ano passado e R$ 900 milhões de janeiro a agosto.
Já o acionista majoritário da Encol, Pedro Paulo de Souza, disse que aposta na recuperação da construtora, inclusive com a retomada das obras em breve e contratação de mais empregados. Ele creditou a crise da Encol às altas taxas de juros bancários e à falta de uma política habitacional por parte do governo. Souza fez um apelo para que bancos liberem financiamentos para que sejam concluídos 60 prédios, de um total de 710 imóveis inacabados, que estariam com as obras em fase final e com a documentação regularizada. A Encol precisaria, segundo seu acionista majoritário, de R$ 1,2 bilhão para concluir todas as obras contratadas.
Participaram da audiência pública no Congresso, ontem, o presidente da Associação Nacional dos Clientes da Encol, Charles Belchier, e o membro da Comissão de Fiscalização e Controle, Arlindo Chinaglia.
A Prodecon (Promotoria de Defesa do Consumidor) do Distrito Federal vai ouvir na próxima semana, num único dia, 25 pessoas ligadas direta ou indiretamente à Encol. O objetivo da medida, segundo o promotor Antônio Ezequiel de Araújo Neto, é concluir a coleta de informações sobre as irregularidades na empresa para que o inquérito possa ser encerrado, no máximo, no prazo de 30 dias. Com isso, a Prodecon poderá propor imediatamente ações criminais e civis públicas à Justiça. Os quatro promotores envolvidos no caso Encol vão se dividir para tomar os depoimentos dos envolvidos. Serão convocados o atual acionista majoritário, Pedro Paulo de Souza, seus familiares, ex-diretores e representantes de bancos e empresas envolvidos com a Encol.
O juiz Floriano Côrrea Vaz da Silva, do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, decretou ontem a indisponibilidade dos bens da Encol. Os bens pessoais de Pedro Paulo de Souza e de outros sócios da Encol não foram bloqueados. A medida foi tomada para garantir o pagamento dos débitos trabalhistas em São Paulo.

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