Depois de quase 10 anos do primeiro pedido de liberação da semente de milho transgênico Libertylink, a multinacional Bayer recebeu com ''muita satisfação e esperança'' a aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Para o gerente de tecnologia de biociência da empresa, André Abreu, o ponto mais positivo foi o fato dessa decisão ter sido tomada com base em inúmeros e consistentes estudos. ''Enviamos diversos documentos, atendemos a todas as solicitações do Governo e ficamos satisfeitos pois foi uma aprovação bastante técnica'', sentenciou Abreu.
Ele acredita que com essa medida tenha início um processo firme e claro de decisões sobre a biotecnologia no País. ''Existem muitas pesquisas nacionais e bons níveis de debates. O importante é a continuidade desses processos daqui pra frente'', pontuou. Sobre a demora da aprovação da semente transgênica no País - a Libertylink já é usada nos Estados Unidos desde 1995 - Abreu ressaltou que o governo local sempre buscou desenvolver uma legislação consistente para investimentos em tecnologias e a Bayer respeitou essas medidas.
Em relação à expectativa de comercialização da semente, Abreu comentou que ainda é prematuro fazer qualquer previsão, pois vai depender da própria análise dos produtores. Porém, por se tratar de um produto com produtividade de 5% a 10% maior que a semente tradicional, o produto deve ser bem aceito.
Para o presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Ywao Miyamoto, a aprovação é muito positiva, mas demorou para acontecer. ''A Abrasem sempre lutou pela liberação biotecnológica e isso está acontecendo atrasado. Outros países já trabalham com as sementes transgênicas há mais de 20 anos e o Brasil estava perdendo para a concorrência'', destacou Miyamoto.
Com o milho transgênico, segundo o presidente da Abrasem, os agricultores terão maiores lucros. ''O custo de produção é menor'', enfatizou ele. Em consequência, Miyamoto apontou que, os consumidores também saem ganhando, pois os custos do produto final também serão menores.

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