O prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), acredita que o secretário estadual da Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, ainda não compreendeu o tamanho e a importância do Arco Norte. Por isso, segundo o prefeito, Richa Filho não se comprometeu em repassar a verba necessária para o estudo de viabilidade técnica do projeto. ''O valor é muito pequeno diante da envergadura do empreendimento'', acredita Barbosa.
O Arco Norte é um projeto de desenvolvimento regional que envolve os municípios de Ibiporã, Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas e Apucarana, que tem como âncora uma aeroporto internacional de carga a ser construído na Zona Sul de Londrina.
Para tentar tirá-lo do papel, as prefeituras e as entidades envolvidas precisam realizar o estudo de viabilidade técnica, sem o qual não será possível buscar os recursos federais e de investidores privados. Esse estudo custa em torno de R$ 2 milhões e a expectativa era de que o governo do Estado o financiasse. Mas o secretário Richa Filho diz que não há recursos estaduais disponíveis.
''Eu espero que a negativa do secretário não seja a palavra do governador Beto Richa porque nas vezes que eu discuti o projeto com ele, ficou muito propenso a fazer o que for necessário para que o Arco Norte saia do papel'', disse Barbosa durante entrevista concedida ontem à FOLHA. A Prefeitura, segundo ele, também não tem como bancar o estudo.
O prefeito entende tratar-se de um projeto para ser viabilizado num período de cinco ano. ''Isso fica sob a velocidade do mercado. Já vimos a China construir aeroportos em dois anos. Não estamos numa China, mas acredito que esse projeto tem condições de estar maturado em cinco anos'', destaca.
Confira a seguir os principais trechos da conversa:
O que a sua administração está fazendo para tirar o Arco Norte do papel?
Estamos falando disso há três anos. Antes de eu assumir o cargo, já incorporei esse projeto. Eu falei isso para o Osmar Dias e para o Beto Richa (candidatos ao governo do Estado em 2010). Não tinha nenhum um mês na Prefeitura quando assinamos o decreto de utilidade pública (da área prevista para o aeroporto). Decretar de utilidade pública uma das áreas mais valorizadas da cidade, com 5,7 mil hectares, é uma atitude de coragem. Agora, determinamos esta outra ação que é o levantamento patrimonial para identificarmos o valor e, posteriamente, fazermos as ações visando a desapropriação. Agora eu vejo assim: se não houver a participação do governo, não conseguiremos fazer o estudo de viabilidade do projeto.

Mas o governo já negou que vai aportar verbas para isso.
O valor é muito pequeno (R$ 2 milhões) diante da envergadura do projeto. Esse projeto vai beneficiar não só a região, mas o Estado inteiro. Eu tenho certeza que o secretário (Richa Filho) ainda vai investir recursos nele. Eu acredito que precisa ser feita uma articulação política mais ampla, nomeando um conselho de representantes com a participação de todos os prefeitos, deputados estaduais e federais da região e a sociedade civil organizada, os institutos de pesquisa e universidades. Isso tem de ser feito junto àqueles que já estão fazendo parte da Sociedade de Propósito Específico (Associação Comercial de Londrina - Acil - e Sociedade Rural do Paraná - SRP). E o Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), que foi onde nasceu o projeto. Temos condições de dar mais informações sobre isso e respaldar esse projeto. Eu continuo acreditando na palavra do governador Beto Richa, que ele iria incorporar no seu plano de governo o Arco Norte. O governador ainda não disse não. Ele vai dizer sim ao Arco Norte.
Londrina é realmente uma localização adequada para um aeroporto de cargas?
Não foi a cidade que criou o Arco Norte. Foi a natureza que abençoou Londrina com o Arco Norte. Estamos num platô invejável. Eu sobrevoei ali e me encantei. Esse terreno foi especialmente feito para se transformar num grande aeroporto de carga.
Em quanto tempo Londrina vai ter o Arco Norte?
Isso fica sob a velocidade do mercado. Já vimos a China construir aeroportos em dois anos. Não estamos numa China, mas acredito que esse projeto tem condições de estar maturado em cinco anos. A gente não pode ser tacanho e pensar apenas na nossa administração. Esse projeto é um projeto de geração. Tenho certeza que ele modifica a economia e o perfil da nossa cidade. O raio de 3 mil quilômetros do Arco Norte inclui, Assunção, Buenos Aires, Montevidéu. Londrina está a 1.000 quilômetros de Brasília, a 1.100 quilômetros de Porto Alegre, 1.000 quilômetros do Rio de Janeiro e 1.000 quilômetros de Belo Horizonte. Estamos a 500 quilômetros de São Paulo. Então, temos 72% do PIB da Amércia do Sul aqui (no raio do Arco Norte).
As cargas viriam de todos esses locais?
Sim, competiríamos com Viracopos (aeroporto de Campinas), com o Afonso Penna (de Curitiba). Vamos absorver tudo isso na nossa região, tendo aqui o Antonov (avião cargueiro russo), o mais pesado, operando com sua capacidade máxima. Isso dá uma condição, pela velocidade dele, que uma carga sairia da Europa e em 12 horas estaria aqui e vice-versa. A autoridade aeroportuária nacional é que escolheu essa área que tem a visibilidade que nenhuma outra tem. É uma área de céu de brigadeiro.
Quais serão as próximos passos para tentar emplacar o projeto?
Pretendemos criar um Conselho Deliberativo com a Sociedade de Propósito Específico para que realmente a parceria se firme e que possa ter um sistema de governança mais apropriado para deslanchar o projeto. Estamos dispostos, a partir da semana que vem, a entrar com ações para fomalizar isso.
A Prefeitura não tem como bancar o estudo de viabilidade?
Nós não temos previsão orçamentária para um projeto desta envergadura. Não pelo menos para o ano que vem. Mas se o governo não viabilizar (os recursos), teremos de ir atrás de uma alternativa.
Na iniciativa privada, quais seriam os parceiros possíveis?
Já conversamos duas ou três vezes, por exemplo, com os representantes da DHL (multinacional do setor de logística). Eles se encantaram com a proposta e disseram que a partir da criação da Sociedade de Propósito Específico estão dispostos a ajudar a viabilizá-la. Também na Índia já fizemos contatos.

mockup