Para recuperar o crédito externo, o Brasil precisa ‘‘construir um muro de credibilidade’’, do qual assentou por enquanto apenas alguns tijolos. A metáfora foi feita ontem por Charles Dallara, com a autoridade de quem é diretor-gerente do IIF (Instituto de Finança Internacional), o conglomerado de aproximadamente 300 grandes bancos do planeta. O muro seria o ajuste fiscal.
‘‘É absolutamente crítico que o governo não relaxe no ajuste fiscal, mesmo com a recessão, que virá, e o aumento do desemprego’’, disse Dallara. Mas ele tem dúvidas de que o presidente Fernando Henrique mostre a energia para implementar o que foi acertado com o FMI, ou seja, um ajuste fiscal que signifique um superávit de 3,1% do PIB.
Dallara conversou com a reportagem pela manhã, no saguão do hotel Concorde-Lafayette, instalado no complexo do Palácio de Congressos, em que se realiza a assembléia anual do BID. À tarde, Dallara deu entrevista ao lado de William Rhodes, vice-presidente do IIF e do Citibank. Nesse segundo momento, o cauteloso otimismo sobre o Brasil também subiu um andar, especialmente por parte de Rhodes. Ele é o coordenador do diálogo que o Brasil mantém com bancos privados.

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