Paulo WolfgangMulticomerciantePizzol, dono de açougue, mercearia, quitanda, self-service e petiscaria: ‘‘Trabalhar em um só ramo não dᒒOito anos atrás, Pizzol tinha um açougue em Londrina. Hoje tem um açougue, mercearia, quitanda, self-service e petiscaria que pode servir à la carte até altas horas da noite. Faz assados e congelados, marmitex, tortas, salgados e uma variedade de pratos rápidos. Todos os negócios funcionam no mesmo espaço (cerca de 240 metros quadrados na Rua Santos) e quem dirige é a família do comerciante.
A petiscaria que ele abriu há um mês, ocupando um velho jardim que nem flores dava - ‘‘porque a sombra dos prédios matava tudo’’ -, atraiu uma nova clientela e fez o seu faturamento subir em torno de 40%. Giácomo Pizzol descobriu há oito anos o que outros estão descobrindo agora: trabalhar num só ramo, não dá. É melhor agregar múltiplas atividades no mesmo espaço físico e não deixar nenhuma área ociosa.

Paulo WolfgangIdéia novaOtto Keller, supermercadista: ‘inventou’ o som ao vivo em seu estabelecimento e já conseguiu até patrocínio de distribuidoras de chope e refrigerante‘‘Quando eu tinha o açougue, muita gente chegava aqui pedindo uma ‘pomarola’, um detergente. Foi aí que eu passei a ter mercearia, depois assados. Mas ainda era pouco. Quem vende assados, precisa vender saladas, pratos feitos’’. Uma coisa foi puxando outra, a pedido do cliente.
Negociante de primeira, Pizzol chegou a fazer uma pesquisa entre os fregueses (400 cadastrados) para ver se melhorava a mercearia, se ampliava a quitanda, se montava uma petiscaria em local aberto ou um self-service em local fechado. A decisão foi da clientela: 90% marcaram com um xis o restaurante. Ele não só acatou o pedido como fez mais, oferecendo, ao mesmo tempo, a petiscaria, em local fechado.
‘‘O resultado foi melhor do que o esperado’’, afirma Pizzol. ‘‘É caríssimo manter uma porta aberta com 12 funcionários, pagando impostos, custos em geral; eu já tenho 18 anos de comércio, eu sei como é difícil’’. Apesar de tudo, ele admite que vai indo muito bem, até mesmo porque não paga aluguel. Qual o segredo de Pizzol? Ele revela: é trabalho, trabalho, e mais trabalho, com qualidade e criatividade.
‘‘Quando eu falo qualidade, é qualidade no atendimento, também. Temos que tratar o cliente com carinho, para ele voltar’’. Mesmo contente com o movimento, Pizzol não pára por aí; reconhece a força da concorrência. Agora está pensando em trocar o balcão principal, desenvolver um sistema único de auto-atendimento e colocar música ao vivo na petiscaria, no final de semana.

Comerciante fez pesquisa para expandir o estabelecimentoA mesma música que Otto Keller levou para o seu mercado, na Rua Paranaguá. Ele é outro que está sempre inovando. O mercado que comprou há 13 anos passou por cinco reformas e ainda não está do jeito que ele quer. ‘‘Eu sempre investi, criando fórmulas caseiras, como prateleiras rebaixadas (1,40 metro de altura) e corredores largos para melhorar o visual, o trânsito’’.
Todos os sábados, das 15 às 19 horas, a família Santos - Marta e Márcia, ou Marta e Marcos, ou Marta, Márcia e Marcos - apresenta, em pleno mercado, o melhor da MPB. Algumas marcas de bebidas já estão patrocinando o evento, com distribuição gratuita de chope e refrigerante.
‘‘A economia de hoje exige muito. A concorrência também; quem se acomoda, perece’’. É por isso que o seo Otto não pára. ‘‘Os comerciantes do centro estão correndo mais riscos que os outros, dos bairros, da periferia. Mas eu não quero sair daqui pra quebrar ninguém do outro lado da cidade; não é justo’’. O problema, diz ele, é que nem todo mundo pensa assim: ‘‘Tem tubarão comendo muita sardinha em Londrina’’.
O grande entrave que ele vê é o empobrecimento da população. ‘‘A certa altura, as vendas melhoraram com o pré-datado. O volume em circulação foi aumentando, aumentando, aí veio a inadimplência. Hoje, nem os bancos estão mais liberando cheque (crédito) com facilidade. Até o freguês antigo, aquele que sempre foi pontual, hoje fala que paga em 30 dias e não paga. ‘‘A população está ficando pobre’’.
Enquanto sobrevive assim, amarrado a essa situação econômica do País, Otto Keller vai fazendo o que acha melhor para segurar os clientes e conquistar outros. A música é uma das estratégias de venda que ele utiliza aos sábados porque, aos nesse dia, o londrinense atravessa a cidade para comprar no grande supermercado da cidade.
E quem faz música no mercado de Otto Keller, faz, também, por uma questão de sobrevivência. E poderá vir a fazer em seu próprio estabelecimento para atrair clientela. A família Santos está se desdobrando em mil para garantir o dia-a-dia. Anos e anos depois, o quiosque aberto na porta da casa da Marta (Rua Pará, esquina com J.K) está virando um bar-lanchonete-petiscaria. ‘‘Sempre fizemos tudo aos poucos; primeiro ganhando o dinheiro, depois investindo o que dava’’, afirma a cantora-comerciante-mãe, Marta Santos.
‘‘Com quatro filhos pra criar, eu vi que a única saída era abrir um comércio na porta de casa, porque fora a música, eu não tinha - nem tenho - nenhuma especialidade. Se eu trabalhasse fora, ganharia R$ 300 ou R$ 400 e gastaria uma boa parte desse dinheiro com empregada. Já com um comércio na porta, eu cuidaria dos negócios e do berço, ao mesmo tempo. Música nunca deu camisa pra ninguém, ainda mais aqui, em Londrina’’.

mockup