Buenos Aires - O presidente do Banco Central argentino, Mario Blejer, declarou ontem a um grupo de jornalistas brasileiros que ‘‘recuperar a confiança’’ do país, tanto externamente como internamente, é mais significativo que uma eventual ajuda financeira. Segundo Blejer, um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) teria a capacidade de recriar a credibilidade perdida nos últimos meses.
Presidente do Banco Central considera mais importante a recuperação da credibilidade do que a ajuda financeira do Fundo
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‘‘Se vai ocorrer um programa econômico com o Fundo é porque haveria confiança de novo’’, disse o presidente do BC, que até o ano passado foi integrante do FMI. O cargo máximo que ocupou na estrutura do Fundo foi o de vice-diretor do Departamento do Oriente, onde trabalhou junto com o indiano Anoop Singh, atual chefe da missão do FMI para a Argentina.
No total, Blejer trabalhou durante 21 anos nesse organismo financeiro, até que em meados de 2001 foi convocado pelo então ministro da Economia, Domingo Cavallo, para assessorar o país na área de relações com os mercados.
Blejer afirmou em tom confiante que ‘‘se o FMI mandou uma missão à Buenos Aires é porque existe uma intenção de chegar a um acordo’’. Também disse que se o acordo com o Fundo for conseguido, e simultaneamente implementar um controle do déficit fiscal, além de renegociar a dívida pública e a privada, o BC poderia conseguir que o dólar ficasse abaixo de 2,00 pesos. Atualmente, a moeda americana oscila ao redor de 2,15 pesos.
O economista sustentou que a cotação do dólar somente ficará abaixo de 2,00 pesos se todas as condições citadas puderem ser implementadas. ‘‘Se elas não ocorrerem, pode acontecer qualquer coisa’’, disse.
Comentando o ‘‘corralito’’, denominação popular do semicongelamento de depósitos bancários, o presidente do BC afirmou que - apesar dos pedidos dos correntistas - será impossível liberar o dinheiro retido de uma só vez. ‘‘Nenhum sistema bancário no mundo poderia devolver todos os depósitos em uns dias. Não haveria lógica fazer isso’’, sustentou.
Segundo Blejer, o ‘‘corralito’’ poderá terminar em alguns meses, ‘‘quando houver condições’’. No entanto, explicou que o dinheiro dos prazos fixos continuará retido, embora o dinheiro dos outros depósitos será liberado gradualmente, no total de 32 bilhões de pesos (US$ 16 bilhões).
‘‘Poderemos liberar o dinheiro se mantivermos a disciplina fiscal e pudermos solucionar os problemas bancários’’. Neste último caso, Blejer referia-se à crise do Banco Galícia, o maior banco privado argentino, que está tentando encontrar um comprador do exterior, após sofrer uma drástica sangria de seus depósitos.
Blejer também informou que o BC deve anunciar hoje ou amanhã a emissão de Letras, que seriam utilizadas para reforçar suas reservas. Blejer não quis falar sobre a quantia envolvida, mas especula-se que as letras seriam de 1 bilhão (US$ 500 milhões).

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