Curitiba - Os problemas de estrutura levantados pelo setor de agronegócios brasileiro divulgados ontem pela FOLHA foram classificados como desconhecidos pela Administração do Porto de Paranaguá e Antonina (APPA). A reportagem tentou entrevistar algum diretor do órgão, mas foi orientada a encaminhar as perguntas por escrito, através de e-mail. Os questionamentos foram respondidos pela assessoria de imprensa.
FOLHA DE LONDRINA- Estudos realizados pelo Fayet mostram que o Porto de Paranaguá teve crescimento menor do que outros portos em exportações. Quais são os verdadeiros números de exportação de grãos? E dos demais produtos?
Porto de Paranaguá- Desde 2003, os Portos do Paraná vêm batendo recordes de movimentação e geração de receita cambial. Em 2002, os Portos do Paraná movimentaram 28,5 milhões de toneladas e geraram uma receita de US$ 4,1 bilhões. Em 2007, a movimentação registrada foi de 38,2 milhões de toneladas e a receita cambial passou para US$ 11,8 bilhões. O crescimento ocorreu em todas as cargas e com os grãos não foi diferente. No ano passado, o volume de soja e farelo exportados foi 11% superior a 2006, enquanto o milho registrou aumento de 41% nas exportações (4,7 milhões de toneladas).
- Existem conversas periódicas com os operadores para saber as necessidades de expansão?
A Appa, além de escutar todos os usuários, recebe os pedidos protocolados pelo órgão de classe que representa os operadores. Estes pedidos são analisados e a Appa verifica se o interesse é comum ou se só vai atender a necessidades individuais. A prioridade é sempre o atendimento aos interesses públicos. Outro fórum de debate é o Conselho de Autoridade Portuária (CAP), com reuniões mensais entre armadores, operadores, trabalhadores e poder público, justamente para discutir e expor necessidades.
- A estrutura portuária não tem se modernizado?
Pelo contrário. Desde 2003, mais de R$ 200 milhões foram investidos em obras de infra-estrutura, com a implantação do sistema de segurança ISPS Code, revitalização do Pátio de Triagem, concretagem das vias de acesso ao Porto de Paranaguá, recuperação do cais comercial, reforma da sede da Appa e construção de novos prédios, como as novas instalações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, inauguradas no último dia 14.
- Por que o porto recusou R$ 120 milhões do governo federal para as obras do Cais Oeste? Já que não havia ônus, não era mais prudente aceitar?
A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) nunca rejeitou recursos federais. Pelo contrário. A autarquia, apenas nesta gestão, já foi signatária de três convênios com o Governo Federal, mas nunca recebeu o dinheiro. Um destes convênios era para a construção do cais oeste do dia 19 de dezembro de 2003, mas os recursos nunca foram transferidos por questões orçamentárias federais.
- A Faep alega que existem muitas restrições para os navios, além de demora excessiva e prejuízos por parte dos importadores - que evitariam vir para o Paraná. O que está sendo feito para minimizar o problema?
Não há espera e nem restrições. E, com a implantação das janelas públicas de atracação, praticamente zeraram a espera de navios full contêineres. A eficiência desse sistema é de quase 80%.
- A Faep alega que precisaria ter oito balanças em vez de duas para acabar com as filas de caminhões. A APPA planeja aumentar a quantidade de balanças?
O Porto de Paranaguá tem seis balanças de plataforma nos portões de acesso à área primária, mais duas balanças de plataforma no terminal público de álcool, duas outras no silo público, todas instaladas a partir de 2005. No ano passado, foram instaladas mais seis balanças de fluxo integradoras para conferir a aferição das balanças dos terminas privados. Além disso, o silo público já tinha três balanças de plataforma para caminhões e mais quatro para vagões. Logo, a informação da Faep não procede.
- O que está sendo feito na prática para executar a dragagem do Porto? Por que se deixou chegar na situação atual (Canal da galheta com oito metros de profundidade quando deveria ter 15)?
Foi feita uma licitação com abertura das propostas no último dia 28 de janeiro. A concorrência foi considerada frustrada. Em seguida, foi realizado um chamamento público com apenas duas propostas apresentadas e sem condições de executar o serviço. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) estuda formas de contratação do serviço, mas esbarra na falta de dragas e nos valores praticados após o anúncio de R$ 1,4 bilhão do PAC para dragagem de aprofundamento.
- Por que houve mudança nas características da licitação antes da publicação do edital, limitando o tipo de draga que poderia operar no Porto? Não se tentou direcionar a licitação? A idéia não é forçar uma contratação emergencial de draga?
- Agropecuaristas estariam optando por outros portos como São Francisco do Sul e Itajaí (Santa Catarina). O Paraná não tem medo de perder as principais cargas, principalmente a de grãos?
Desconhecemos essa informação. Paranaguá é o maior porto graneleiro da América Latina e responsável pelo escoamento de mais da metade do milho brasileiro exportado, por exemplo. E, a partir do lançamento do Corredor de Congelados do Paraná, o eixo de exportações de carnes deverá ser deslocado para o Paraná.
- Paranaguá pratica uma tarifa de US$ 5 por tonelada - uma das mais caras do Brasil. Por quê?
Quem cobra US$ 5 por tonelada são os operadores privados, e não a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). Para conhecimento: as tarifas públicas para embarque de grãos, por exemplo, somam R$ 3,07 a tonelada.
- Antonina não foi abandonado pela administração portuária?
De forma alguma. Depois de muitos anos o Porto de Antonina está finalmente recebendo investimentos para oferecer operações como a movimentação de cargas de alto valor agregado, como aço, bobinas de papel, madeira e congelados, complementarmente ao Porto de Paranaguá. E, ao contrário da administração anterior, que retirou Antonina do plano de dragagem, esta gestão inclui o porto no pacote de serviços.
- Os agropecuaristas dizem que a imagem do Porto de Paranaguá é negativa internacionalmente por conta do IMO (diário de bordo dos que lidam com portos). Como mudar isso?
Essa é uma imagem do passado, quando em apenas um ano (2002) foram registradas 2 mil reclamações com relação à qualidade dos grãos exportados e diferença de peso (o peso da mercadoria entregue era menor do que constava na nota fiscal). A atual administração da Appa enviou uma comissão para o Porto de Valência, na Espanha, para acompanhar a descarga de um navio, quando se verificou erro na balança de terminais privados de Paranaguá. As providências necessárias foram tomadas e, com isso, hoje o Porto de Paranaguá não tem registro de nenhuma reclamação nem com relação ao peso, nem com relação à qualidade dos grãos exportados.
- Por que apesar de inaugurado, o terminal de álcool não movimentou qualquer carga? É verdade que ele foi projetado de forma inadequada?
O terminal aguarda a programação dos exportadores de álcool, donos das cargas. Não há nenhuma irregularidade na obra.
- Por que os operadores se recusam a falar do Porto de Paranaguá e alegam ter medo de represálias? A APPA tem costume de punir seus operadores portuários?
Não sabemos o motivo que leva ao silêncio dos operadores. Talvez os próprios devam responder a essa pergunta.
- Quais os projetos do Porto de Paranaguá para acelerar sua modernização e evitar o sucateamento em longo prazo?
Há uma série de projetos e novas obras realizados com recursos próprios, como a construção de um armazém público para fertilizantes; a duplicação na armazenagem pública de grãos, que hoje é de 100 mil toneladas; a construção de mais um pátio de fluxo de veículos; e mais recentemente o lançamento do Corredor de Congelados do Paraná, que reúne a estrutura de armazenagem e transporte do Governo e da iniciativa privada.

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