Para Anfavea, outubro foi mês perdido
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
Samuka Lopes de São Paulo 
Um estoque de 200 mil unidades, das quais 130 mil na rede de revendedores e outras 70 mil no pátio das montadoras. Com esse pano de fundo, o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), José Carlos da Silveira Pinheiro Neto, abriu os trabalhos da 20ª edição do Salão do Automóvel de São Paulo, que terá os portões abertos ao público a partir das 14 horas de amanhã.
Pinheiro Neto afirmou que o mês de outubro não serviu para nada. O consumidor vive a expectativa do anúncio das medidas previstas pelo governo. Esperamos retomar as vendas em novembro e dezembro, disse. Nos primeiros vinte dias do mês de outubro houve uma queda de 20% nas vendas em relação aos primeiros vinte dias do mês de setembro, que já havia apresentado uma queda de vendas de 24,4% em relação a agosto.
Diante desse quadro, a expectativa é fechar o ano de 98 com um total de vendas na faixa de 1,65 milhão a 1,7 milhão de veículos. Vale lembrar que no ano passado foram comercializados 2,07 milhões de unidades. Os fabricantes também prevêem dificuldades até o final do primeiro trimestre do próximo ano, quando espera-se que volte a entrar recursos na economia. No ano que vem, os produtores de veículos pretendem comercializar entre 1,5 milhão e 1,7 milhão de unidades.
Pinheiro Neto criticou os altos impostos sobre o setor e disse que não acredita em novas taxações nesta área a partir do novo pacote fiscal. Em média, entre 38% e 40% do automóvel é imposto que o consumidor paga para o governo. Acho que nossa indústria já deu a sua colaboração. Não acreditamos que haverá novo imposto para essa área. A não ser o que já está combinado para acontecer a partir de janeiro, que prevê o aumento do IPI do carro popular para 10%.
A previsão dos fabricantes para 99, segundo ele, é exportar um total de US$ 5,2 bilhões. As importações deverão ficar próximas desse valor, já que para cada US$ 1 exportado, pode-se importar até US$ 1,38. O presidente da Anfavea citou ainda a chegada dos novos colegas ao mercado brasileiro, como a Volkswagen de Resende, no Rio de Janeiro (caminhões), a Volkswagen de São Carlos, São Paulo (motores), a Agrale Navistar, de Caxias, no Rio Grande do Sul (caminhões), a Chrysler, em Campo Largo, no Paraná (pick-ups), a Honda em Sumaré, São Paulo (automóveis), e a Toyota de Indaiatuba, São Paulo (automóveis).
A inauguração de mais seis fábricas está sendo aguardada para os próximos meses. Trata-se da Volkswagen-Audi e Renault, no Paraná, General Motors e Ford, no Rio Grande do Sul, e Fiat e Mercedes-Benz, em Minas Gerais. Até 2005 devem ser investidos mais de US$ 20 bilhões pelas montadoras ou fabricantes de autopeças. O dinheiro será destinado para novas fábricas, ampliações e projetos de modernização de produtos e serviços. No ano 2000 a capacidade instalada da indústria será de 3 milhões de unidades.


