A vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Elisabeth Carvalhaes, orientou ontem montadoras e fornecedoras paranaenses a redimensionar suas vendas para a exportação e aumentar o índice de nacionalização dos veículos e autopeças que são usadas pelas indústrias brasileiras. Elisabeth disse que o País vive um dos melhores momentos para se retomar as exportações, que passaram a ser mais vantajosas após a desvalorização do real, ocorrida em janeiro. Desde então, o Brasil começou a reverter a posição de comprador para vendedor dentro do Mercosul, situação que ameaça a própria continuidade do bloco.
Desde a desvalorização do real houve redução drástica no volume de exportação dos países do Mercosul para o Brasil. Em compensação, a indústria brasileira comemora um aumento imediato e progressivo nos níveis de exportação. A Argentina vendeu para o Brasil US$ 1,3 bilhão entre janeiro e fevereiro do ano passado, contra R$ 600 milhões no mesmo período neste ano. Já o Uruguai diminuiu em 30% o volume de produtos vendidos para o Brasil.
‘‘O câmbio pode paralisar as relações comerciais no Mercosul, principalmente na Argentina que mantém o câmbio fixo por força da Constituição’’, explicou a vice-presidente da Anfavea. Ela esteve ontem, em Curitiba, para participar do Seminário sobre o Pólo Automotivo Paranaense. O encontro reuniu 250 fornecedores e presidentes das montadoras do Paraná.
Como alternativa para evitar o colapso do Mercosul, Elisabeth Carvalhaes defendeu a prorrogação do regime automotivo que vigora hoje na Argentina, com extensão do acordo aos demais países do Mercosul. A crise no Mercosul se intensificou após a desvalorização do real, que provocou mudanças na balança comercial dos demais países.
Para proteger suas indústrias automotivas, o governo argentino fixou alíquotas diferenciadas de importação de carros. O imposto de importação para as montadoras instaladas na Argentina é de 17,3%, enquanto no Brasil a taxa é de 23%. As montadoras que não têm filial na Argentina recolhem 33,5% de imposto de importação, sendo que no Brasil a alíquota é de 35%.
A Anfavea pressiona o governo federal para fechar um acordo rápido com a Argentina, mas a situação política do país vizinho pode retardar um entendimento. A Argentina terá eleições presidenciais em agosto, o que inviabiliza qualquer mexida no câmbio antes disso.
O setor automotivo torce para que a economia brasileira fique estabilizada com o dólar cotado a R$ 1,60 e que os juros continuem em declínio, até atingir um patamar de 25%. A Anfavea aposta ainda numa inflação em torno de 10%, situação que já sinalizaria a retomada do crescimento para o segundo semestre.Mauro FrassonTroca de posiçãoElisabeth Carvalhaes, da Anfavea: ‘‘Brasil passou de comprador para vendedor aos países do Mercosul’’Carmem Murara

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