São Paulo - A elevação de um ponto porcentual na taxa básica de juros foi considerada equivocada pelo vice-presidente do Comitê de Economia e Finanças da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. ''Fiquei frustrado e lamento muito por esta decisão equivocada, que tem como objetivo combater a inflação que é de custos, e não de demanda, em um momento em que o câmbio já está recuando'', afirma. De acordo com ele, a medida do Copom poderá desembocar em uma recessão no começo do próximo ano.
Para Oliveira, há vários fatores que sustentariam a manutenção da taxa de juros em 21%. Ele cita a taxa de juros real - a maior do mundo -, o alto índice de inadimplência, o elevado nível de desemprego e os altos estoques da indústria e do varejo.
''A elevação da taxa de juros pode, inclusive, provocar um resultado adverso ao esperado pelo Banco Central'', diz o executivo. Segundo ele, com a elevação da taxa de juros, o volume da dívida se eleva e, junto com a dívida, o grau de desconfiança do mercado externo quanto à capacidade de o País quitar suas obrigações.
Quanto ao impacto da puxada do juro já nas vendas de fim de ano, Oliveira ressalta que vai depender muito do mercado financeiro. ''A taxa de juros na ponta está muito elevada, o que poderia sugerir o adiamento do repasse para o varejo. Mas, se em razão do aumento de juros o mercado se tornar mais seletivo, cortando crédito, as vendas para o Natal deste ano já poderão ser prejudicadas'', diz Oliveira.

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