São Paulo - O governo federal propôs às maiores instituições financeiras privadas um acordo para reduzir os chamados ''spreads'' bancários, a diferença entre as taxas captadas e repassadas ao consumidor, mas a iniciativa não terá nenhum sucesso enquanto os juros do próprio governo estiverem em 13,75%, segundo especialistas.
Os bancos sustentam que também têm interesse em reduzir os ''spreads'' e manter a expansão do crédito. O problema é como viabilizar essa redução das margens em meio ao aumento dos custos de captação de recursos e à redução na demanda por crédito.
Desde 2003 até meados deste ano, os ''spreads'' recuaram por conta da redução dos juros do Banco Central e pela expansão do crédito. Na prática, os bancos trocaram a margem maior que tinham por aumento no volume emprestado. Para o economista Marcio Nakane, estudioso sobre o assunto da consultoria Tendências, há pouca margem de manobra para o governo estimular a redução do ''spread'', uma vez que a elevação registrada nos últimos meses se deu devido à escassez de crédito no mundo.
''Sou cético em relação a um acordo para reduzir o 'spread'. Na conjuntura atual, não tem muito o que ser feito. Como o período é de escassez generalizada de crédito, é natural que os 'spreads' bancários aumentem porque o dinheiro está escasso. A medida que teria o maior impacto, sem dúvida, seria baixar a taxa de juros.''
Para a conta fechar, as instituições reivindicam diminuição de custos de captação, desoneração de impostos do setor e instrumentos melhores para analisar o risco, possivelmente com a adoção do cadastro positivo que tramita no Congresso.

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