Para analistas, o governo foi confuso ao elevar os juros
Os analistas consideram que o Banco Central agiu de forma confusa e contribuiu para o nervosismo do mercado. Primeiro, ao tentar vender BBCs na quarta-feira após o fechamento do mercado e recusar as ofertas dos bancos, que pediram juros de 40% ao ano na média. Esse leilão que acabou não se realizando trouxe rumores de alta nos juros e tensão. O fato de o BC doar recursos, na quinta-feira, a 29,75% e tomar a 31,5% confundiu ainda mais os investidores. Também não foi possível entender a razão pela qual o diretor do BC, Francisco Lopes, e o presidente Fernando Henrique Cardoso passaram a quinta-feira negando uma alta nos juros sendo que o aumento veio naquela noite.
A impressão que ficou foi de um desencontro entre os principais participantes do governo e da existência de uma crise interna. Havia boatos até de mexida na equipe econômica brasileira. Mas o governo reverteu as expectativas e a atuação do BC, ontem, acalmou o mercado.
ReaçãoOs títulos da dívida externa brasileira renegociada fecharam ontem o dia em alta diante das expectativas de ajuda dos países ricos à América Latina. Os C-bonds, os mais negociados, passaram de 52,50% do valor de face ontem para 54,87%. No início do dia, os bancos que estão vendidos (venderam papéis que não tinham apostando em desvalorização) tentaram derrubar as cotações com força. O papel chegou a bater em 49% do valor de face. O Banco Central tem muitos títulos em carteira e não empresta para os bancos vendidos que precisam entregar o papel. Tem banco sendo forçado a pagar uma taxa em troca do aluguel do papel, diz Carlos Uchôa, do Asset Management.





