Para analistas, Copom só mexerá na Selic em março
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004
André Palhano<br> Agência Estado 
São Paulo - Mesmo que o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) de janeiro traga uma surpresa bastante positiva na sexta-feira, é improvável que o Banco Central (BC) retome os cortes dos juros já nesta próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), dias 17 e 18, afirmam analistas do mercado consultados pela Agência Estado. O motivo é consensual: a ata da última reunião do Copom, na qual a autoridade monetária pintou um panorama tão carregado sobre os riscos inflacionários, cenário este que dificilmente se reverteria no período de apenas um mês.
''Uma redução dos juros em fevereiro não seria muito plausível em função do que a última ata explicita'', afirma o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros. ''Um mês é muito pouco para eliminar o desconforto presente na ata. É cedo para o BC adotar um discurso de que não vê mais aqueles riscos presentes no documento'', reforça o economista-chefe da Itaú Corretora, Marcelo Carvalho. Em outras palavras, o Banco Central seria incoerente ao promover agora um corte da Selic, mesmo que tecnicamente justificável.
A possibilidade de um pequeno corte da Selic neste mês chegou a ser aventado nas mesas de operação ontem, após a surpresa positiva com a primeira prévia do IGP-M, com alta de 0,08%, bem abaixo das expectativas do mercado. Os analistas lembram, no entanto , que foi o IPA agrícola, com deflação, quem puxou o índice para baixo. ''E o IPA agrícola é um componente bastante volátil'', destaca Carvalho, lembrando que apesar da desaceleração o IPA industrial e também o IPC do IGP-M não vieram tão confortáveis assim.
Somente uma confirmação mais efetiva dessa tendência positiva para a inflação registrada nos últimos índices, acreditam os analistas, levaria o BC a retomar o ciclo de desaperto monetário. ''Em março o BC vai contar com os números de fevereiro e as primeiras prévias de março. Aí sim, se tudo vier muito bem, ele poderia adotar uma sinalização sobre os cortes amparado em todos esses índices'', comenta a economista Caroline Silveira, do Santander. Entenda-se por sinalização em março um corte de 0,25 ponto na Selic, número com o qual boa parte do mercado trabalha hoje.


