Brasília A melhora nos indicadores econômicos, especialmente a redução do risco Brasil confirmada numa emissão de títulos brasileiros no exterior na semana passada, deverá reforçar a tendência de queda na taxa básica de juros, na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) que termina hoje. No entanto, no longo prazo, o menor custo de captação de dinheiro lá fora, que reflete a confiança do investidor internacional em relação ao futuro da economia brasileira, ainda não é suficiente para o governo se sentir confortável sem o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Mesmo com a queda significativa desde o início do ano, a percepção do risco Brasil ainda é pior do que a média dos países emergentes. O risco país está 40% acima dessas economias. Enquanto no final da semana passada, o risco Brasil á medido a partir do preço dos títulos brasileiros negociados no exterior estava, em média, 678 pontos acima dos papéis do Tesouro norte-americano, as demais economias emergentes apresentavam risco de 480 pontos.
Levantamento mensal feito pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) junto a 60 instituições financeiras mostra que a expectativa é que o risco Brasil deverá encerrar o ano em 646 pontos, o que ainda é considerado muito elevado para os especialistas da área. Esse valor é compatível com uma expectativa de taxa de câmbio média de R$ 3,13 e juros de 18% ao ano, segundo a pesquisa.
A melhor percepção dos investidores ainda está longe de ser um passaporte definitivo para o clube das economias preferidas para realização de investimentos, já que até mesmo entre os países emergentes, o Brasil ainda patina. ''O prêmio de risco brasileiro continua 40% acima da média dos países emergentes, refletindo que a credibilidade ainda é baixa'', afirma o economista Nathan Blanche, da consultoria Tendências. ''Além disso, o nível de reservas do País é bastante baixo. Por isso, é importante o respaldo do FMI'', completa.
Atualmente, as reservas internacionais brasileiras somam cerca de US$ 52 bilhões. Se descontar desse total os empréstimos feitos pelo Fundo, o saldo cai para US$ 18 bilhões. O saldo total das reservas representa cerca de 40% da dívida externa do setor público, que é de US$ 125 bilhões. Essa relação é considerada muito baixa quando comparada com a de outras economias emergentes que disputam recursos com o Brasil no mercado internacional como a Coréia (667,3%), China (299,1%), Chile (213,9%), México (65,6%) e Rússia (52,3%).
''A percepção externa está melhorando, mas ainda está pior do que os fundamentos sugerem'', rebate Roberto Luis Troster, economista-chefe da Febraban. Por isso, ele é um dos que engrossa o coro dos favoráveis à renovação do acordo com FMI. ''O acordo melhora o perfil do endividamento porque não é caro e tem um prazo maior. Além disso, depois de tantas surpresas nos últimos tempos é sempre bom ter apoio'', diz. ''Quem tem padrinho, não morre pagão'', completa, defendendo que o País deve deixar de olhar essa questão de forma ''sentimental e ser mais prático''. Tudo em nome da retomada do crescimento econômico.

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