Para analistas, a queda do dólar é trégua, não tendência
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domingo, 11 de novembro de 2001
Agência Estado<br>De São Paulo 
A mudança do nível do câmbio, que recuou cerca de 6% nas duas últimas semanas, proporciona um certo alívio para o mercado financeiro, mas não a ponto de provocar mudanças cruciais no cenário econômico atual. De imediato mesmo, o recuo da cotação da moeda norte-americana tem reflexos diretos na dívida pública interna com correção cambial. Estimada em R$ 180 bilhões, o saldo encolheu R$ 10,8 bilhões só por conta dessa queda no dólar, calcula o diretor de Fundos do Banco Inter American Express, Marcelo Allain. A médio prazo, caso esse novo patamar de câmbio se consolide, o reflexo será uma pequena redução na inflação de 2002, que poderá vir acompanhada de corte nos juros básicos.
''A dívida pública é o indicador que mais irá se beneficiar no curto prazo dessa trégua no cenário econômico'', avalia Allain. Além da queda na cotação do dólar, ele aponta a alta de cerca de 12% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a redução de 25% para 21% ao ano dos juros no mercado futuro, desde fins de outubro, também como indicadores do alívio no mercado.
Economistas ouvidos pela Agência Estado consideram que ainda é cedo para encarar a apreciação do real como tendência. Na prática, a queda do dólar reflete uma 'trégua' no pessimismo exagerado que vinha se disseminando entre os agentes econômicos, diz Allain. Para o sócio da Tendências, Roberto Padovani, quando a cotação do dólar atingiu o pico de R$ 2,80, o mercado estava embutindo nesse valor um risco maior por causa da crise argentina, do confronto norte-americano no Afeganistão e do racionamento de energia elétrica. Como as previsões mais pessimistas nesses três focos de preocupação não se confirmaram, a pressão diminuiu.
''O que ocorre hoje com o câmbio é um ajuste transitório, não se trata de tendência'', diz Padovani. Allain pondera que a apreciação pode não ter continuidade, caso a situação na Argentina se agrave. Padovani observa que nenhum fundamento econômico se alterou para mudar o cenário traçado para 2002. ''A situação da economia americana continua complicada e o prêmio de risco dos papéis brasileiros, elevado'', ressalta o sócio da Tendências Consultoria.
De toda forma, o recuo do dólar melhora as perspectivas de inflação para 2002, ressalta Padovani. Na sua opinião, o Índice de Preços Amplo (IPCA) poderá ficar mais próximo de 4,5% do que de 5% no ano que vem.


