Para analista, dólar não preocupa
Agência Folha
De São Paulo
A alta do dólar nos últimos dias trouxe de volta o medo de um descontrole na economia, como na época da desvalorização do real. Para economistas, no entanto, há um excessivo nervosismo - e especulação - alimentando os solavancos na cotação da moeda norte-americana. Se não houver maiores surpresas, dizem os especialistas, o valor do dólar tende a cair. A inflação também não deve sair do controle.
Em tese, os últimos dias deveriam ter sido de calma no front cambial. Agosto é um dos meses em que as empresas remetem menos dólares para o exterior para pagar dívidas. Se dependesse do fluxo previsto de moedas, a cotação continuaria no patamar de R$ 1,75 por dólar, como vigorou até julho. Mas o clima de ansiedade levou empresas e bancos a rechear seus cofres com moeda norte-americana e a cotação chegou a bater em R$ 1,88 por dólar, bem acima do esperado.
A situação atual não é de otimismo, mas o mercado colocou importância demais em certos fatos que não mereciam tanto destaque, diz Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. Loyola acha que a tendência é de um câmbio entre R$ 1,80 e R$ 1,85 até o final do ano, mas ressalva que tudo depende do humor do mercado.
A escalada do dólar começou na virada de junho para julho. Foram 21 dias em que o dólar subiu, pouco a pouco, contra 11 de queda. Os motivos apontados pelo mercado financeiro são o enfraquecimento do governo e de seu poder de fogo para aprovar as reformas necessárias para equilibrar as contas públicas. Além disso, há o medo de que uma crise na Argentina, uma alta dos juros nos EUA e até uma desvalorização da moeda chinesa levem a uma estiagem nos investimentos estrangeiros e dificultem ainda mais a situação brasileira.





